Edifício-garagem na 25 dará lugar a shopping

Prefeitura vai desapropriar e derrubar prédio de 31 andares que esconde 'colina histórica'; centro de comércio popular será erguido no terreno

MONIQUE ABRANTES, TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2012 | 03h05

Um edifício-garagem de 31 andares localizado na Rua 25 de Março será desapropriado pela Prefeitura, como parte do projeto de recuperação do centro de São Paulo. O prédio é considerado um "obstáculo visual" entre a várzea do Rio Tamanduateí e a chamada colina histórica, onde fica o Pátio do Colégio e a Catedral da Sé. No terreno, será erguido um shopping popular.

O imóvel será bem mais baixo - os prédios vizinhos têm, no máximo, quatro andares. Segundo a Prefeitura, ainda serão feitos estudos para definir o projeto, mas já está previsto um mirante, com vista para a colina histórica, e um setor de bares e restaurantes.

O centro de compras terá 10 mil metros quadrados, divididos em um subsolo e mais três pavimentos. "A galeria abrigará espaços para a instalação de boxes comerciais de portes variados", informa a Prefeitura por meio de nota. Não há prazo para o início da obra, que está inserida na segunda fase de revitalização do Parque Dom Pedro II. A primeira já foi iniciada, com a demolição dos Edifícios São Vito e Mercúrio. A desapropriação deve custar cerca de R$ 5 milhões.

O Garage Parque 25 foi construído no anos 1980. Além de oferecer 630 vagas de estacionamento, ele abriga, no térreo, lojas de roupas e bijuterias. O plano municipal prevê a criação de 2.600 vagas - parte delas em uma garagem subterrânea na Praça Fernando Costa.

Para o urbanista Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, a demolição é bem-vinda. "Esse prédio nem deveria ter sido construído. Ele é um entrave em uma das paisagens mais importantes de São Paulo."

Apesar da decisão da Prefeitura, muitos comerciantes desconheciam o projeto. "Faz uns dois anos que começaram a falar de desapropriação aqui, mas isso aí deu uma parada. Acho que já desistiram", diz a balconista Carmen de Oliveira, de 31 anos.

No açougue vizinho ao estacionamento vertical, a criação de um centro de compras também era desconhecida. "Demolir tudo para fazer um camelódromo? Mas já não tem lojas demais aqui na 25?", questiona o açougueiro Thiago Moreno, de 24 anos.

A secretária executiva da União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco), Cláudia Urias, disse acreditar que a região não precisa de mais um centro de compras. "A 25 tem 38 shoppings. São tantos espaços que muitos boxes estão vazios por falta de interessados em alugar", afirma Cláudia. "Por outro lado, vagas de estacionamento estão em falta por aqui."

Apoio. Cláudia diz, porém, que os comerciantes são a favor de um projeto de revitalização para o Parque Dom Pedro. Os lojistas esperam que alguns pontos, como a criação desse shopping popular, sejam revistos.

As vagas de Zona Azul são dominadas, quase em sua maioria, por flanelinhas. Eles cobram R$ 10 por uma folha que custa R$ 3.

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