Clayton de Souza
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Economia de água é legado duradouro

Troca de peças, como torneiras, descargas e chuveiros, por modelos mais econômicos pode reduzir o consumo em até 40%

Edison Veiga e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2015 | 19h53

SÃO PAULO - Quem aproveitou a crise hídrica para substituir torneiras, descargas e chuveiros por modelos mais econômicos pode comemorar a redução de 40% no consumo sem precisar alterar seus hábitos. "Sem perder o conforto, a qualidade do uso e a propriedade de higienização", afirma o consultor Paulo Costa, CEO de empresa de projetos de racionalização do uso de água. 

Costa é defensor da tese de que o País deveria regulamentar o setor de louças e metais sanitários. "Atualmente, existem bacias sanitárias que consomem 4,5 litros de água por descarga, mas as mais vendidas no Brasil gastam 6,8 litros", diz.

Ele cita a Califórnia, nos Estados Unidos, que também padece com problemas da crise hídrica, como exemplo bem-sucedido de regulamentação. "Lá, desde junho, torneiras não podem gastar mais do que 3,8 litros por minuto, seja de cozinha ou de lavabo", afirma. "Uma torneira comum aqui no Brasil gasta de 7 a 8 litros por minuto; as ditas econômicas consomem 6 litros por minuto."

Costa também acredita que a crise deixará um legado cultural. "As novas gerações já acham um absurdo alguém lavar carro com esguicho, por exemplo."

Rotina. Economizar água já virou hábito na família Ficarelli. "Já falei que só vou parar de economizar quando o Cantareira chegar a 80%", diz a arquiteta Lia Aquino Ficarelli, de 60 anos. Em janeiro de 2014, ela deu início a uma operação de guerra em sua casa, nos Jardins, zona sul. E conseguiu reduzir o consumo mensal de 19 metros cúbicos para 3 metros cúbicos - número mantido até hoje.

"Comprei dez baldes. E toda a água de casa é reaproveitada", conta. A que sai da máquina de lavar roupa, vira descarga; a usada para lavar louça, vai para a rega das plantas; e a da chuva é utilizada também. "O segredo é administrar as tarefas de casa de perto", conta ela. O economista Marcos Ficarelli, de 67 anos, foi obrigado a entrar no sistema da mulher. "Agora lavo o carro com meio balde de água", diz.

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