Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Economia da água fica estável pelo 3º mês

Redução do consumo ficou em 3,5 mil/l por segundo; 17% continuam gastando mais

Fabio Leite , O Estado de S. Paulo

09 Maio 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A redução do consumo de água feita pela população parece ter atingido o teto na região abastecida pelo Sistema Cantareira. Balanço do programa de bônus em abril, divulgado nesta sexta-feira, 8, pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), mostra que a economia ficou estável pelo terceiro mês consecutivo, em 3,5 mil litros por segundo, o maior índice já alcançado desde o lançamento do plano de descontos na conta. 

Segundo dados da estatal, 83% dos clientes atendidos pelo Cantareira gastaram menos água em abril do que a média de consumo anterior à crise hídrica, declarada em janeiro de 2014. Isso significa que 17% ainda continuam gastando mais água hoje, mesmo índice registrado em março. Desses, 10% receberam multa de até 50% na conta porque consumiram mais de 10 mil litros por mês. 


“Parece ser o limite, mas a redução de consumo lá é muito representativa, considerando que hoje o Cantareira não é mais o maior sistema de produção de água da região metropolitana. Hoje é o Guarapiranga”, afirmou Samanta Souza, gerente de relacionamento com clientes da Sabesp. Em março de 2014, primeiro mês do bônus no Cantareira, a economia foi de 1,1 mil litros por segundo.

Os números indicam que, para reduzir ainda mais a retirada de água do Cantareira durante os meses de inverno, como pretende a Sabesp, será preciso intensificar outras ações, como a transferência de água de outros sistemas e o racionamento por meio da redução da pressão e do fechamento de válvulas nas ruas. Projeta-se diminuir a captação dos atuais 13 mil litros por segundo para até 9 mil l/s. Antes da crise, a vazão produzida chegava a 32 mil l/s.

Nível do manancial. Nesta sexta, o nível do Sistema Cantareira caiu 0,1 ponto porcentual, chegando a 19,6% da capacidade, incluindo as duas cotas do volume morto. Considerando a reserva profunda do manancial, o índice era de -9,7% da capacidade.

Em toda a Grande São Paulo, que é abastecida por outros cinco mananciais além do Cantareira, a economia média de água chegou a 6,2 mil litros por segundo, de acordo com a Sabesp, volume suficiente para abastecer cerca de 1,9 milhão de pessoas. O índice é ligeiramente maior do que o registrado em março: 6,1 mil l/s.

Outra comparação. De acordo com informações da companhia, 82% dos clientes na região metropolitana reduziram o consumo em relação ao período anterior à crise.

Dos 18% que aumentaram o consumo, 11% sofreram sobretaxa na conta. Segundo a Sabesp, o programa de bônus deve vigorar até a normalização dos níveis dos reservatórios que abastecem a região.

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