Economia 'alternativa'

O público da fila para entrar no Rock in Rio tem sido brindado com a voz do astro David Quinlan, cantor meio irlandês, meio brasileiro, conhecido por sucessos como A Ti, ó Pai e Jesus Amado da Minha Alma. "Esse nome de Jesu-u-us/Bradando em Fervo-o-or/ou Sussurando amo-o-or", diz uma das letras. "De onde vem isso, gente?", pergunta Bárbara Roberto, de 22 anos, fã de Joss Stone.

O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h05

O som sai das caixas da Igreja Batista Renovada de Vila Autódromo, comunidade de 900 famílias que divide muro com a Cidade do Rock. Os cultos vão de quinta a domingo, afirma a explicadora Noêmia Freitas Lopes. Explicadora? "É o mesmo que professora, só que sem ser formada, entende? Mas não engano ninguém", conta ela, que cobra R$ 30/hora por aulas para o curso fundamental.

Ao que parece, o Rock in Rio alavancou o comércio da vila. Do outro lado da pinguela que atravessa o Pavuninha, riacho que banha a comunidade, vários moradores instalaram barracas para vender sanduíches, refrigerantes, coquetéis e camisetas.

Estela Ribeiro, que em "dias normais" é diarista, ontem vendia hambúrgueres (R$ 3,50) e pizzas (R$ 3), além de bebidas alcoólicas. Como é crente, está de saia preta até o tornozelo e só trabalha em uma metade da barraca. A outra, administrada pela agnóstica Larissa de Oliveira, de 18, oferece cerveja (2,50), doses de vodca (R$ 3) e coquetéis (R$ 3,50).

A maioria dos comerciantes queixava-se da falta de movimento ontem. Ao que tudo indica, os cantores e bandas que se apresentaram atraem um roqueirinho endinheirado. "Hoje tá fraco. Os 'rico' não se incomodam em pagar mais caro lá dentro", diz Lucimar Oliveira, de 43 anos, da barraca Lu e Lu Lanches, onde se lê "Bem Vindo a Cidade do Rock".

O sanduíche que tem mais saída, conta Lu, é o X-Tudo (R$ 6), que leva carne, queijo, salada, maionese, mostarda, ketchup e batata palha. "Meu hambúrguer é de patinho fresco moído; o das lanchonetes do Rock in Rio são de carne congelada, sem gosto."

Na Rua Gilles 'Villenuve', a viela de terra batida que margeia o Pavuninha, está a maior parte das barracas. O servente Hamilton de Souza, 25, vende camisetas com o símbolo do Rock in Rio e a inscrição "Fui!". "Leva, guerreiro, tá barato, 25 mirréis." As 'oficiais' do evento custam R$ 80. O refrigerante, R$ 5, e o chope, R$ 5. Até a pedicure da comunidade, Priscila Galdino, 28, aproveitou para anunciar promoção: "Pé e mão tá R$ 12".

Mas nem tudo na vila é alegria. Altair Antunes, o Paíca, presidente da associação de moradores e pescadores da comunidade, reclama da falta de banheiro químico na avenida onde está a fila para entrada na Cidade do Rock. "Esses roqueiros põe o pinto pra fora e urinam ali mesmo", diz Paíca, referindo-se ao Pavuninha. "As mulheres da comunidade jogam pedra, mas aí é que eles balançam mais ainda."

A maior parte das barracas fica aberta 24 h. Na de Vandilson Gomes, de 23, o misto e a média custam "três conto". "Tem que ralar, amigo." / P.S.

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