'É um período em que se pode tirar aprendizado'

O psicólogo clínico Walter Mattos, membro do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica por que o Natal é uma data "desestruturante" para muitos.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2012 | 02h01

Por que o Natal mexe tanto com as pessoas?

Há algumas explicações. Uma é ser uma data simbólica, ligada a fechamento e abertura de ciclo. Essa transição convida as pessoas a fazerem um balanço, o que pode ser agradável para uns e desagradável para outros. Há também o ideal psíquico de união familiar, muito usado pelo comércio, o que pode entrar em conflito com a realidade vivida por alguns. Um terceiro fator é o descolamento do significado da data. Como defesa, o indivíduo compra.

Como assim?

É quando você perde de vista a data religiosa e entra na maratona de compra de presentes, de amigos-secretos, de confraternizações do trabalho. Você pensa: "Se eu der algo para as pessoas, se eu for, elas vão gostar de mim". São processos inconscientes e sofridos.

A decoração antecipada interfere nesses processos?

O que mais escuto nos consultórios é a reclamação do uso comercial da data, como se a antecipação desvalorizasse o Natal. Mas se o indivíduo pensar que este momento pode ser bom para se chegar a conclusões importantes, em que "fichas caem", pode ser um período bom. Por exemplo: "Ah, minha vida está passando, eu não fiz o que devia ter feito". "Será que estou me boicotando? Vivo um padrão?"

Como fazer do limão uma limonada ou deixá-lo estragar?

Exatamente. Manter-se na defensiva e repetir o que é conhecido. Ou ter um insight e tirar um aprendizado, para mudar.

E dá para dizer que há algo como uma "Tensão Pré-Natal"?

Não existe a patologia. Mas existe, sim, a percepção de que a época do Natal é desestruturante para muitos. / D.G.

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