É um erro privilegiar embate com grupo que age como guerrilha

Análise: Walter Maierovitch

É JURISTA, PROFESSOR, FOI SECRETÁRIO NACIONAL ANTIDROGAS, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2012 | 02h03

O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) tem errado o foco na política de segurança pública em São Paulo. Para lidar com máfias ou grupos criminais mais bem organizados, como é o caso do Primeiro Comando da Capital (PCC), é necessário que se identifique com inteligência os criminosos e a maneira como eles agem. Deve-se atacar suas fontes de lucros e os negócios que permitem a lavagem de dinheiro, trabalho que costuma ser feito com o empenho de bons policiais civis.

O problema é que as apostas estão sendo feitas em ações militarizadas e no patrulhamento ostensivo. Em momentos de tensão como o atual, isso serve apenas para aumentar a sensação de medo da população. Esse crescimento do medo pode também desestimular denúncias e favorecer a lei do silêncio.

Privilegiar o embate policial e a exibição de força, caminho que vem sendo seguido pelo governo, pode ser ainda pior quando do outro lado existem grupos que agem como guerrilhas e que não têm muito a perder com a violência. A consequência pode ser a grande quantidade de homicídios que voltamos a presenciar.

É necessário, portanto, estimular uma ação investigativa dos policiais civis. Desde os ataques, em 2006, o PCC conseguiu se alastrar dos presídios para os bairros da capital e de outras cidades do Estado e as polícias não têm conseguido estancar esse avanço. É evidente a necessidade de se rever essa estratégia militarizada.

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