É um empório ou restaurante? São os dois

Estabelecimentos que misturam os dois negócios se multiplicam pela cidade de SP

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2012 | 03h05

É empório ou é restaurante? São os dois. Além de ter aumentado na cidade o número de negócios que apostam nessa dobradinha, quem está no mercado há mais tempo ampliou o espaço para a venda de produtos. "As coisas do empório são vendidas em uma velocidade tão grande que tive de aumentar o tamanho", diz o gaúcho Ivo Abrahão Nesralla Júnior, dono do restaurante Tavares, nos Jardins, zona sul.

Inaugurado há um ano, o estabelecimento, que foi montado na antiga residência do colunista social José Tavares de Miranda (1919-1992), dobrou o espaço destinado ao empório. "Aqui é um lugar de experiências gustativas e visuais. As pessoas passam bons momentos e se inspiram nas coisas que comem e veem."

A tática de Nesralla foi espalhar condimentos, chocolates, massa e artigos para presentes - que vão de lustres vietnamitas a cinzeiros - nas prateleiras e nos móveis pelo salão. Integrados ao ambiente, os objetos ficam mais à vista e atraentes.

O Eat, aberto há três meses na Vila Olímpia, zona sul, parece um supermercado - tem 900 m² de área e até carrinhos de compras. A proposta é despertar a comilança. "A sensação é a mesma que entrar em um supermercado fino com a vantagem de poder experimentar tudo o que está no caminho", explica a advogada Adriana Veloso, de 41 anos, que almoçou com as amigas no espaço reservado às mesas, com 70 lugares, no fundo do galpão. É isso mesmo: para chegar às mesas, o cliente tem de passar antes por várias gôndolas. "Se você estiver com fome, o apelo é ainda maior", diz Adriana.

O Eat só não vende produtos de limpeza para casa. Na geladeira de laticínios da loja, estão à venda mais de 40 tipos de queijos, além de antepastos e comidinhas. Numa estante, há 70 tipos de cervejas especiais e a adega oferece 450 rótulos de vinhos. "Tudo pode ser consumido nas mesas do restaurante ou no balcão do bar. É cobrado o preço de prateleira, mais 10% ", diz Fábio Seabra, um dos sócios da casa.

Exclusividade. "Não me importo com a quantidade, mas com a exclusividade. Teve um dia que comprei ali um azeite grego com textura e cor de mel, que nunca encontrei em nenhum supermercado", conta Paulo Vaz, gerente de TI e cliente do D'Olivino, um dos primeiros restaurantes a terem empório especializado em azeites. Nas prateleiras, há cerca de 70 rótulos. "O bom de São Paulo é justamente isso. Você entra em um restaurante por acaso e descobre uma loja com coisas diferentes."

O Tasca da Esquina, restaurante de comida portuguesa contemporânea, surgiu há um ano com um empório tímido. Vendia alguns livros de gastronomia e uma ou outra marca de café especial e de azeite. Mas a adega, com 1000 garrafas, 90% delas de vinhos portugueses fabricados por produtores conhecidos, virou uma referência.

"Muitos clientes passaram a comprar os vinhos para levar para casa", conta Érica Maiera, uma das sócias do restaurante. "Foi um movimento muito espontâneo. Eles experimentavam e queriam levar uma garrafa. Hoje o restaurante dá 15% de desconto aos clientes que querem consumir o vinho em casa.

No exterior. O sucesso da combinação empório e restaurante não é fenômeno só de São Paulo. "É uma tendência internacional. Há um movimento saudosista no ar de dar mais valor ao que é local e escolhido a dedo para um grupo pequeno de pessoas", diz Camila Toledo, do Stylesight, portal que estuda tendências mundiais em diferentes setores da economia. "Em Nova York, muitos restaurante vendem verduras produzidas na horta do quintal e usadas na elaboração dos pratos. O consumidor quer saber quem está por trás da produção. Também se sente mais cuidado quando sabe que tudo o que está à venda passou pela seleção de alguém que conhece, como o dono do restaurante."

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