'É preciso trazer grandes alunos para a docência'

Na opinião do vice-diretor da OCDE, Brasil deve investir mais em professores para atrair profissionais talentosos

Entrevista com

Bárbara Ferreira Santos e Guilherme Soares Dias, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2013 | 02h05

O desafio do ensino brasileiro não é só lutar por mais recursos, mas definir prioridades de investimento. Essa é a avaliação do vice-diretor de educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher. Para ele, o País enfrenta um desafio em dobro: melhorar a qualidade e trazer mais alunos para as salas de aula.

O Brasil é uma economia emergente, mas vai mal nos rankings de educação. Como melhorar?

O caminho para uma boa educação é longo. A qualidade do ensino não será melhor do que a qualidade dos professores. É preciso trazer grandes alunos para a docência e garantir que os estudantes terão a melhor aprendizagem.

Como o senhor avalia o desenvolvimento do Brasil?

Nenhum país teve tanto sucesso nas notas dos estudantes quanto o Brasil nos últimos anos. Ao mesmo tempo, houve avanços ao trazer mais jovens para as salas de aula. É um desafio duplo, tanto de qualidade quanto de quantidade.

Que fatores explicam a má posição do País na lista global?

É necessário investir mais em professores, para atrair profissionais talentosos para a área. Não é só questão de gastar muito dinheiro, mas investir para ter melhores resultados. Recursos serão importantes, porém não suficientes.

O problema é geral na América Latina. Quais são as dificuldades comuns entre os países?

O Brasil e o México tiveram avanços consideráveis, mas a América Latina ainda aparece mal. A diferença entre as escolas mais ricas e as mais pobres ainda é muito grande. Não sou pessimista. Alguns desafios resolvidos pelo Brasil mostram que há soluções possíveis.

A que o senhor atribui a boa colocação da China no ranking?

A China é um bom exemplo de como a educação foi vista como prioridade. Os alunos estudam duro na escola e acreditam que podem fazer a diferença. No Brasil, por exemplo, muitos professores apenas jogam o problema para o colega. É preciso resolver o desafio e não transferi-lo.

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