'É preciso salvar pelo menos os pequenos'

A preocupação de que o vício em drogas se perpetue em novas gerações não é nova. Nos últimos 16 anos, ela motivou o trabalho do empresário Daniel Fresnot, de 63 anos, que criou em São Paulo um sistema de quatro abrigos que já atenderam 10 mil crianças, adolescentes, meninos e meninas: são as casas da ONG Casas Taiguara. No início, a preocupação era com a cola. Hoje, segundo Fresnot, o crack está se transformando no mal do século e é preciso adotar logo a desintoxicação compulsória de crianças. "E as pessoas querem ficar longe. Ninguém quer suar a camisa. A sociedade é hipócrita."

Entrevista com

PABLO PEREIRA, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2012 | 03h02

Está aumentando o número de meninos de menos de 12 anos no crack?

Sim. Atualmente, milhares de jovens e adultos são dependentes. Mas é preciso salvar pelo menos os pequenos. É preciso vontade política.

O senhor defende a desintoxicação compulsória?

Defendo para crianças de até 12 anos. Essa criança, comprometida com o crack, não tem discernimento suficiente para saber que precisa parar. Como estão fazendo no Rio, acho que estão de parabéns. Estão tirando os "noinhas" da rua e mandando para a desintoxicação.

Precisaríamos de uma mudança no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)?

O Rio está fazendo isso, apesar de o ECA não facilitar, mas o ECA também não proíbe.

Por que essa ideia não funciona em São Paulo?

A Prefeitura privilegiou mandar a polícia para a cracolândia, embora esteja fazendo um trabalho com esse abrigo no centro que abriram agora. Acho que a solução a ser adotada não é a polícia.

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