''É preciso know how até de lixo''

Para anfitriões, há pecados imperdoáveis, como excesso de gente e hora marcada para comer

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2010 | 00h00

Ao explicar que uma boa festa deve ter convidados variados, o empresário carioca Bruno Chateaubriand, que tradicionalmente recebe com o companheiro André Ramos em um concorrido réveillon na Avenida Atlântica, Rio, conta uma cena que o encheu de emoção. "Em uma das festas que a gente deu em casa, vi o Rodrigo Rato (ex-diretor do FMI) conversando animadamente com a (travesti) Rogéria e o (empresário) Chiquinho Scarpa. O salão parecia uma Torre de Babel, mas as pessoas não poderiam estar mais à vontade", diverte-se.

Chateaubriand, que neste ano vai dar a festa no apartamento dos socialites Jacques e Marie Annick Mercier, no Leme, diz que é preciso ter "know how até de escoamento de lixo". "Quando a festa é em apartamento, a pior coisa é deixar aquelas caixas de comida, com as embalagens usadas, no hall de serviço", diz.

Ele afirma que o sucesso da festa não tem necessariamente a ver com o budget (orçamento) do anfitrião. "Se você oferece bebida gelada, comida boa e música legal, mais da metade do sucesso está garantida."

Luz de pizzaria. Para a empresária paulista Ana Maria Carvalho Pinto, que trabalha com festas, é preciso surpreender o convidado. A comida deve aparecer aos poucos e ter elementos inusitados. "Não há coisa mais enfadonha do que estabelecer hora para servir o jantar. Dizer: "Gente, está na mesa"."

Para ela, excesso de gente pode comprometer a festa. "Se a pessoa chama 1,2 mil convidados, fica sem alma." E iluminação correta é fundamental. "Nada menos aconchegante do que um salão iluminado como uma pizzaria."

O decorador Jorge Elias, outro festejado anfitrião de São Paulo, não vê problemas em convidar 800 pessoas para a comemoração anual de seu aniversário - desde que ele conheça todo mundo. "Tem gente que dá festa com mailing, acho impessoal. Nas minhas, sei quem é todo mundo."

Para dar uma noção de como suas festas são concorridas, Elias diz que "tem gente que compra roupa um ano antes, já pensando nelas". "Não posso frustrar a expectativa dessas pessoas", afirma.

Ele concorda com Ana Maria que festas em casa têm mais "alma" do que em espaço alugado. "Só dou festa em casa e nunca me arrependi. Não tiro nenhum enfeite, tapete, nada. Casa é pra usar."

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