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‘É preciso eliminar a corrupção’, diz cardeal

Único brasileiro na Cúria de Roma, d. João afirma que é necessário reformar nossa política, que está 'muito capenga'

Entrevista com

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo

23 Julho 2013 | 02h01

O único brasileiro na Cúria Romana alerta: o Brasil precisa "eliminar a corrupção" e mudar a "política capenga" que se instaurou no País. Prefeito da Congregação para os Institutos da Vida Consagrada, d. João Braz de Aviz contou detalhes do pontificado mantidos em sigilo e confirmou: há laranjas podres no Vaticano, e Francisco vai reformar a Igreja.

Qual é a importância de um papa latino-americano?

O papa está sereno e tem um coração para os jovens. O continente nosso agora tem uma palavra para dar. Não só aos católicos, mas para o mundo.

A situação social no Brasil preocupa diante dos protestos?

Fiquei surpreso que os sindicatos tenham chegado depois do povo. Normalmente, eles vão antes. Isso é raríssimo no Brasil. O fato de que há um grande número de pessoas que querem um Brasil humano, mais desenvolvido. Alguns perguntaram se seria seguro o papa ir agora. Nós sempre dissemos que nunca vimos problema de segurança. É um fenômeno positivo, se não partir para a violência. Os grupos que instrumentalizam o movimento, que puxam partidariamente e ideologicamente estragam uma ação que seria fenomenal.

Qual deve ser a reação da classe política?

Precisamos caminhar muito mais para eliminar a corrupção, não atuar apenas para projetos do próprio grupo político. Mas desenvolver projetos do povo brasileiro. Temos de reformar muito nossa política; ela está muito capenga.

O que se diz na Cúria após outro escândalo sexual, agora afetando o homem nomeado para reformar o banco do Vaticano?

Há muito que precisa ser remodelado. A estrutura muito pesada, complexa, como se admite as pessoas que trabalham ali, como e por que são admitidas.

O que o papa fará?

Isso é como na família. O pai vai sempre achar que o filho é bom. Agora, às vezes o filho dá uma deslizada e o pai não sabe. Não temos como saber. Mais de dois terços do Vaticano luta, ama e trabalha. Agora, tem um outro pessoal.

Existe então uma laranja podre no Vaticano?

Existe, existe. Temos de separar e ter cuidado.

Mas o papa já começou a mudar as coisas internamente?

Nossa senhora. Ele é um papa direto. Às vezes, me liga: "Querido hermano, como estás?" E manda um bilhetinho assim: "Hermano João". Ele não passa por terceiros. Tem reformas em andamento. Não diria surpresa, mas teremos alegrias de ver as coisas se acertando. Bento XVI era tímido. Eu o amo demais. Mas era outro caráter, mais quieto. Francisco, não.

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