'É preciso desconstruir a estética'

O professor de História Daniel dos Santos, de 23 anos, encontrou no Afreaka uma forma de "desconstruir a estética" do continente africano para os alunos do ensino fundamental 2 (6.º ano ao 9.º ano), no período em que dava aula em um colégio de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano.

O Estado de S.Paulo

06 Julho 2014 | 02h01

"Como professor e ativista negro, tinha a missão de inserir no currículo escolar a lei. Existe material didático, mas acho que essa primeira leva de produção dos livros tem textos carregados de estereótipos, que falam apenas da escravidão na história da população negra no Brasil." Ele mostrou ainda outra preocupação: conseguir materiais que fossem palatáveis a crianças, com textos leves e materiais que conseguissem prender a atenção deles.

Ele ficou sabendo do projeto em uma comunidade sobre estudos de história africana no Facebook. "Acessei pela primeira vez o Afreaka para ver um texto sobre a moda angolana e nigeriana. O trabalho deles mostra a diversidade de um continente com mais de 50 países e mais de 2 milhões de línguas. Apresenta a África próxima da gente e para além da nossa ancestralidade."

Preocupado em desconstruir uma visão etnocêntrica na sala de aula, ele usou o conteúdo como contraponto ao que era apresentado no material didático. Em um dos exercícios feitos em aula, pediu que os alunos buscassem imagens da África em livros e na internet e montassem painéis com as fotos.

"Estavam lá as imagens de fome, pobreza, homens com metralhadoras na mão", conta. Santos então apresentou materiais que falavam da cultura cosmopolita, tecnologia e arte africana. "Temos de descolonizar as mentes, desconstruir esse imaginário que está incrustado e provocar a discussão", afirma. / B.F.S.

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