Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

É pouco provável que 2ª cota do Alto Tietê seja usada, diz Alckmin

De acordo com o governador de SP, em momentos de 'estresse hídrico' é importante que a reserva técnica esteja 'disponibilizada'

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2014 | 18h22

SÃO PAULO - Um dia após acrescentar um "volume morto" de 39,4 bilhões de litros no Sistema Alto Tietê, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que é "pouco provável" que a cota adicional seja utilizada. "Provavelmente essa reserva técnica não será usada", afirmou o governador na manhã desta segunda-feira, 15.

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o "volume adicional" no Alto Tietê, responsável por abastecer 4,5 milhões de pessoas, começou a ser captado no último domingo, 13, quando o nível do reservatório subiu para 10,7%. Sem o acréscimo, a capacidade do manancial estaria em 4,1%, o menor já registrado desde a sua construção na década de 1990.

Para Alckmin, em momentos de "estresse hídrico" é importante que a reserva técnica esteja "disponibilizada". "Nós tivemos a maior seca do século, é nesses momentos que você utiliza - senão não havia razão de ser", disse. "Se precisar, você tem bomba, equipamento, motor, tudo preparado para funcionar."

A captação dos 39,4 bilhões de litros foi autorizada pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgão estadual regulador dos mananciais paulistas. O volume fica abaixo do nível mínimo operacional da represa Ponte Nova, em Salesópolis, um dos mananciais que forma o Alto Tietê. Segundo afirma a Sabesp, em nota, o acréscimo "não necessita de bombeamento, sendo possível a retirada através da descarga normal".

Em outubro, quando o Alto Tietê estava com 7,2% da sua capacidade, o Ministério Público Estadual (MPE) pediu, em caráter liminar, a suspensão de uma portaria do DAEE, que autorizou a Sabesp a aumentar a produção de água do reservatório de 10 mil para 15 mil litros por segundo para preservar o recurso. No entanto, o juiz Marcelo Sérgio, da 2ª Vara da Fazenda Pública, negou o pedido.

Questionado se a captação de um maior volume de água no Alto Tietê poderia prejudicar o manancial, o governador Geraldo Alckmin afirmou que "todo esforço de redução de demanda foi feito". "Tanto é que estamos economizando 4,1 m³/s através do bônus. A população respondeu bem ao bônus e houve uma redução de consumo em mais de 80% dos usuários", disse. 

Outras medidas, como a "integração dos vários sistemas" (com o aumento da vazão no Guarapiranga e a diminuição no Cantareira), além da redução da pressão em horários de menor consumo de água também foram citadas pelo governador como formas de reduzir a captação de água.

O primeiro manancial em que foi preciso recorrer ao volume morto foi o Sistema Cantareira, que hoje abastece 6,5 milhões de pessoas. A primeira cota da reserva técnica, de 182,5 bilhões de litros, passou a ser captada em maio, enquanto a segunda, de 105 bilhões, foi acrescentada em outubro. Nas ocasiões, o governador também afirmou acreditar que não seria preciso fazer uso desse potencial hídrico.

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