É oficial: Embu agora é 'das Artes'

Em plebiscito, 74 mil eleitores decidiram incorporar o 'sobrenome' à cidade conhecida por sua vocação artística

Fabio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2011 | 00h00

A maioria da população de Embu, na Grande São Paulo, decidiu incorporar de vez o traço artístico local à identidade oficial da cidade. Em plebiscito realizado ontem, cerca de 74 mil eleitores, ou 66% dos votos válidos, escolheram rebatizar o município para "Embu das Artes", nome pelo qual há décadas é popularmente conhecido. Cerca de 53 mil pessoas não foram às urnas, um índice de abstenção de 31%. Os votos contrários foram cerca de 38 mil.

O resultado vai ser oficializado na manhã de hoje pela juíza Denise Cavalcante Fortes Martins. O resultado do plebiscito precisa ser homologado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para que a mudança ocorra. Segundo a prefeitura local, que apoiou a alteração, a consulta pública para a mudança de nome é a primeira do gênero no Estado.

Localizado a oeste da Região Metropolitana, Embu se emancipou de Itapecerica da Serra em 1959 e virou "Embu das Artes" em razão da feira de artesanato organizada na cidade desde o final dos anos 1960. Graças a ela, o município se tornou reduto hippie e chamou a atenção de artistas, alguns renomados. Nos anos 1990, por exemplo, o roqueiro Mick Jagger aproveitou uma turnê no País da banda Rolling Stones para visitar a feira.

O principal argumento usado na campanha para a mudança é a solução para um problema de nomenclatura que faria os visitantes confundi-la com a vizinha Embu-Guaçu. Para parte da população, a alteração também é interessante porque oficializa prática já comum nas ruas.

"Até no lotação já está escrito Embu das Artes. Nos sites de busca da internet, também. Tem que mudar mesmo", diz a auxiliar administrativo Priscila Aparecida Gomes, de 25 anos.

Apesar da aprovação, a consulta pública sofreu resistência. Parte da população levantou a hipótese da mudança provocar despesas com taxas para a renovação de documentação em que o nome da cidade precisa ser trocado, como nas placas de veículos registrados no município.

"Trabalho com artesanato e prefiro Embu das Artes, mas espero que não tenha problema", afirma a artesã Marcelena Gomes Ferreira, de 43 anos. "Teve gente na família que votou contra porque não quer pagar taxa para mudar documento", diz.

A prefeitura de Embu garante que não haverá despesas extras para a população e apoiou a criação de lei municipal que proíbe a cobrança de taxas relacionadas à mudança de nome - a legislação só tem alcance nos tributos de competência do município. "Eu e meu marido votamos contra porque com certeza vai ter que alterar placa de carro e documentos", diz a auxiliar de logística Janice Ribeiro, de 27 anos.

Embu tem 240 mil habitantes. Estavam aptos a votar cerca de 170 mil eleitores. O plebiscito custou R$ 135 mil ao município.

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