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'É obrigação da polícia prender, não matar', diz pai

"Eu também sou ser humano", gritava Dileone Lacerda Aquino, após ser detido pelos policiais, no dia 12 de março, segundo testemunhas. "Vieram correndo avisar (que ele havia sido preso) e ele só tinha um tiro na perna. Dileone nem estava armado", conta um dos vizinhos e amigo de infância, que pediu para não ser identificado. "Vi o carro passando e a polícia atrás. Ele saiu daqui na viatura vivo", diz um vendedor de frutas, que também preferiu o anonimato.

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2011 | 00h00

 

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Dileone faria 28 anos no dia 27 e havia roubado uma van com remédios naquela tarde, com mais dois homens, que fugiram. A informação no boletim de ocorrência registrado no mesmo dia é confirmada por amigos e família. Na fuga, ele bateu no portão de um condomínio a quatro quarteirões de onde morava, no Itaim Paulista, zona leste.

Na mesma tarde, a família o procurou em hospitais. "Infelizmente, achamos no pronto-socorro (Pronto Atendimento Municipal Atualpa Girão Rabelo) e já estava morto. Estava com um tiro no peito e jogado no necrotério", conta o irmão da vítima, Douglas Lacerda de Aquino, de 23 anos. Segundo Douglas, Dileone estava com o rosto arranhado e com a cabeça inchada, marcas de uma suposta agressão.

Douglas conta que o irmão tinha envolvimento com assaltos, mas "nunca mexia com ninguém", era conhecido na vizinhança e tinha muito amigos. Dileone havia sido solto há sete meses, depois de três anos de prisão. Tinha condenação por roubo, receptação, formação de quadrilha, desacato e resistência.

O pai, o garçom Dorian Ferreira de Aquino, diz estar com medo de perseguição contra a família. Com olheiras e contido nas palavras, conta que está muito abalado com a perda de um dos sete filhos. "É obrigação da polícia prender, não matar. Mesmo que ele estivesse fazendo algo errado, não podiam ter feito isso."

O Estado não conseguiu localizar os advogados dos PMs.

REAÇÕES NO TWITTER

"Isso é ser cidadão."

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"Mais coragem que muito homem. Eu mesma provavelmente teria EVAPORADO de medo."

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"Triste viver num país onde é preciso prender a polícia."

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