E o trânsito paulistano virou uma palhaçada

Grupo inspirado nos Doutores da Alegria apresenta esquetes de humor todos os dias para motoristas em semáforo da zona oeste da capital

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

Os motoristas buzinam, gritam e gesticulam. Mas não é de estresse, é de descontração e até alegria. Parece improvável, mas a cena tem acontecido no trânsito de São Paulo. Os responsáveis por esse "milagre" são os Psicólogos do Trânsito, uma trupe que, baseada nos Doutores da Alegria, resolveu humanizar a rotina de quem dirige pelas ruas da capital. Voluntários, eles são palhaços que fazem performances no cruzamento das Ruas Henrique Schaumann e Teodoro Sampaio, em Pinheiros, na zona oeste.

"Queremos arrancar risos dessas pessoas que estão estressadas. Quando conseguimos isso, já valeu o trabalho", diz Guilherme Brandão, de 24 anos, o Dr. Cucuti, idealizador do projeto.

As pessoas não sorriem de imediato. Quando o semáforo fecha e os palhaços começam a se posicionar na faixa de pedestre, boa parte dos motoristas fecha as janelas. No fim da apresentação, que dura em média um minuto, o comportamento dos condutores muda. Eles tocam a buzina, abrem os vidros, acenam e gritam elogios.

De acordo com a trupe, desde que as apresentações começaram, em 2 de agosto, eles nunca foram hostilizados. "Alguns são indiferentes, mas nunca fomos maltratados", diz Andréa Brandão, de 25 anos, a Dra. Fofucha.

Alexandre Godoy, de 37, que passa sempre pelo cruzamento, já viu as performances. "Como conheço os números, acho interessante observar a reação das pessoas nos carros. Outro dia, tinha um homem que parecia muito estressado dentro de uma Mercedes. Ele não conseguiu rir, mas esboçou um sorriso", diz.

A trupe criou cinco esquetes para distrair os motoristas. No fim de todas elas, o grupo levanta uma faixa com a frase "Um dia sem sorrir é um dia desperdiçado", de Charlie Chaplin.

Dos cinco integrantes do grupo, quatro são parentes. A família mora em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Dois palhaços são irmãos e o outro é sobrinho. O pai fica no apoio logístico e um amigo completa o quadro.

"É um trabalho novo e que requer estudos, mas com certeza pode causar um relaxamento, um momento para respirar sossegado", avalia a psicóloga Raquel Almqvist, do Departamento de Psicologia, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). "Está propiciando uma trégua (ao motorista)."

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