'É muito cômodo debitar tudo a uma facção criminosa'

O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, esteve ontem pela segunda vez em três dias na Baixada Santista. Ele se reuniu à tarde com o diretor da Polícia Civil na região, Waldomiro Bueno Filho, para falar sobre a onda de violência.

Entrevista com

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2012 | 03h06

Apressado, demonstrou desconforto ao notar o assédio da imprensa. "Vocês querem falar da instituição (polícia) ou do caso (morte do sargento da Força Tática Marcelo Fukuhara, no domingo, e série de assassinatos)? Eu tenho de ir embora."

O PCC está envolvido nessa onda de crimes? Não tem isso. É fácil colocar toda a responsabilidade numa facção e exaltar. Parte da imprensa exalta essa facção. Temos informações seguras. Eu fui secretário de Administração Penitenciária, tenho seis anos e meio nessa área e posso dizer pelo nosso serviço de inteligência que não tem nenhuma vinculação com essa facção aí nos crimes aqui em Santos. Se fossem tão competentes, não estariam dentro de presídios há tanto tempo.

Se não é o PCC, que quadrilhas estariam atuando? Várias. Fica muito cômodo debitar tudo a uma facção criminosa.

Existem indícios da participação de PMs nesses casos? Nós não sabemos, vamos investigar. Não descartamos nenhuma hipótese, mas não podemos ter nenhuma informação precipitada. Se não chegarmos à autoria, não vamos chegar à motivação.

O senhor esteve no velório do policial Fukuhara? Não, não fui no velório do policial. Qual o interesse teria em ir ao velório do policial?

Mostrar sensibilidade... Não. Sensibilizado é lógico que eu estou. Toda vez que perco um policial civil ou militar, eu fico sensibilizado e bastante. Até mesmo com essas mortes covardes, porque as imagens revoltam qualquer um, muito mais quem é da polícia.

Existe uma lista de policiais que estariam marcados para morrer? Não, isso daí é sensacionalismo, não existe nada disso.

Que medidas serão tomadas pelo Estado para que policiais não morram? Estamos reforçando o policiamento e reforçando a investigação.

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