E-mail anônimo acirra clima de eleição a reitor

E-mails apócrifos a docentes da Universidade de São Paulo (USP) atacando os candidatos favoritos, denúncias de uso da máquina, decisões que beneficiam a comunidade uspiana tomada às vésperas da votação. As denúncias de "jogo sujo" e de abusos estão se avolumando com a proximidade do dia 19, quando será escolhida a lista tríplice dos candidatos a reitor da instituição.

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2013 | 02h06

Nas mensagens, o candidato Marco Antonio Zago, que ficou em primeiro lugar na consulta feita na terça-feira a alunos e professores (o candidato Wanderley Messias ficou em primeiro entre os funcionários), é o alvo principal.

Em uma das mensagens, à qual o Estado teve acesso, o autor anônimo faz referência à idade de Zago. Segundo o e-mail, ele teria de deixar o cargo aos 70 anos. "Você sabia? Que o candidato ao cargo de reitor da USP prof. Marco Antonio Zago, se for eleito não ficará até o fim do seu mandado? Pois bem, o candidato faz aniversário em 1.º de novembro, com isso, o mandato dele seria somente de 2 anos e 10 meses. Ou seja, quando percorrer esse tempo teremos outro processo eleitoral? Queremos um reitor por meio mandato? Um mandato de 4 anos é relativamente pouco para fazer alguma mudança significativa. Imagina um mandato pela metade?" A outra mensagem diz que Zago foi quem mais gastou em diárias de viagens.

Zago disse que prefere não comentar os ataques. Ele, no entanto, afirma que uma decisão da Comissão de Legislação e Recursos do Conselho Universitário da USP já garantiu que dois reitores completassem seus mandatos depois de fazer 70 anos. "Precisei enviar mensagens sobre o tema para evitar que se instalasse um clima de intranquilidade."

Críticos ainda acusam determinadas decisões de serem eleitoreiras. Na quarta-feira, dia da consulta, a reitoria anunciou a liberação para mais 537 contratações. Na semana anterior, havia divulgado um prêmio de R$ 2 mil para professores e funcionários.

Para o professor Roberto Lobo, ex-reitor da USP, a situação força a comunidade a repensar as regras eleitorais. "Não deveria ser necessário, já que se trata de um ambiente acadêmico, com disputas em outro nível. Mas, diante do quadro que vemos, infelizmente novas regras serão necessárias."

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