Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

E junho virou história

Cinquenta mil lotam as ruas para protestar

Daniel Trielli, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2015 | 16h00

Começou pequeno, mas com barulho. Em 6 de junho de 2013, bastaram cerca de mil pessoas para fechar as Avenidas Paulista, 23 de Maio e 9 de Julho. Era o Movimento Passe Livre (MPL), que queria barrar a alta da tarifa de ônibus, que passava de R$ 3 para R$ 3,20. Alguns encapuzados, os black blocs, depredavam lojas e incendiavam sacos de lixo. A Polícia Militar respondeu com bombas de gás e balas de borracha.

Nos dias seguintes vieram mais protestos. O número de participantes aumentava, e a resposta da PM ficava mais intensa. Até que em 13 de junho houve a repressão mais violenta, na Consolação. “Paulistano fica refém de bombas e tiros de borracha”, relatou o Estado. Nas redes sociais, apareciam relatos de excessos dos policiais.

A violência da repressão foi um dos motivos que levaram a designer Mariana Eller, de 33 anos, e o empresário Eduardo Suga, de 46, na época namorados e hoje casados, a participar do ato marcado para o dia 17. Eles ainda não sabiam, mas participariam da maior manifestação de junho de 2013.

Como muitos dos mais de 50 mil manifestantes (segundo a PM) que apareceram no Largo da Batata no dia 17, Mariana e Eduardo não estavam ali para defender, necessariamente, o passe livre de ônibus ou que a tarifa voltasse a R$ 3. “Meu anseio era por uma mudança na representatividade e não pela manutenção das tarifas, ainda que considerasse isso uma reivindicação justa”, diz Eduardo.

Mariana nunca tinha ido a uma manifestação. Eduardo foi a um comício pró-Lula em 1989, na Sé. “Me arrependo de ter participado da campanha do PT, mas não das manifestações de junho de 2013.”

No dia 17 de junho, Mariana e Eduardo pegaram o metrô lotado até a Estação Faria Lima. Assim que saíram na rua, viram que o que acontecia naquele dia era diferente. “Percebemos que o protesto era muito maior do que as reivindicações do MPL”, conta Eduardo. “Quando alguém ameaçava quebrar alguma coisa, as pessoas ao redor desaprovavam”, lembra Mariana.

No fim, a tarifa não aumentou em 2013 e ficou em R$ 3 até o começo deste ano, quando subiu para R$ 3,50. Agora, o Movimento Passe Livre organiza novas manifestações. 

O único ato que atraiu o casal desde então foi o organizado em prol da eleição de Aécio Neves (PSDB) no segundo turno do ano passado, na Avenida Paulista. Eles garantem que junho de 2013 valeu a pena. “Percebemos que, diante de uma manifestação como essa, a classe política treme e a mudança pode acontecer”, completa Eduardo.

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