Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

É 'incoerente' comércio cobrar pelas sacolinhas, diz Haddad

Com lei em vigor desde domingo, 5, os estabelecimentos comerciais estão proibidos de distribuir as tradicionais sacolas plásticas

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

09 Abril 2015 | 13h57

Atualizada no dia 10 de abril, às 16h46

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) disse nesta quinta-feira, 9, que é "incoerente" os estabelecimentos comerciais cobrarem pelas sacolinhas plásticas. "Sempre puderam cobrar ou não pelas sacolinhas. Sempre puderam e nunca cobraram. Agora que você tem um projeto de sustentabilidade, vão passar a cobrar? Considero incoerente com a responsabilidade ecológica que todo empresário tem que ter. O empresário deveria estar promovendo a sustentabilidade e não colocando obstáculos para que essa sustentabilidade possa se tornar realidade".

Segundo Haddad, cobrar pelas sacolas simboliza falta de compromisso com a questão ambiental. "Os supermercados têm todo o direito de ter o seu lucro vendendo produtos, mas tem que ter compromisso com o meio ambiente. O que eles fazem em termos de engenharia reversa para que as embalagens dos produtos vendidos sejam reaproveitados pela indústria?". 

Com a Lei das Sacolinhas em vigor desde o último domingo, 5, os estabelecimentos comerciais estão proibidos de distribuir as tradicionais sacolas plásticas. Desde então, os supermercados começaram a cobrar R$ 0,08 por unidade. Em caso de desrespeito às novas regras municipais, o comércio pode ser multado em até R$ 2 milhões.

O prefeito fez um apelo aos empresários, pedindo colaboração para atingir a meta da Prefeitura, de 10% de coleta seletiva na cidade. Hoje, o porcentual de reciclagem é de 3%. "Se nós não pudermos contar com quem produz, com o comércio e com a chamada economia circular e engenharia reversa, que é o que nós estamos propondo, nós não vamos atingir a meta." 

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, defende que a cobrança das sacolas plásticas é uma questão de competitividade do mercado. "Se ume supermercado cobrar e o outro não cobrar, onde você vai? É muito melhor que se cobre porque assim se estabelece a concorrência. O mercado vai decidir isto", disse. 

Segundo Burti, é preciso vender as novas sacolas "pelo mínimo valor possível" para que o consumidor "sinta no bolso". "No momento em que o consumidor for onerado, começa a ter sentido a preservação para ele também", afirma.

Em nota, a Associação Paulista de Supermercados (Apas) disse que "a sustentabilidade é uma bandeira defendida à exaustão pelo setor, que há mais de dez anos contribui de forma voluntária com a coleta seletiva com mais de 300 pontos de entrega de materiais reciclados colocados em suas lojas". Segundo a Apas, "com a cobrança explícita das sacolas, não haverá dúvida do consumidor de quanto o comércio embutiu no preço".

O documento informa ainda que as novas sacolas são vendidas ao consumidor a preço de custo e, se comparadas com as convencionais, custam até três vezes mais. "É importante esclarecer que, além de a sacola ser mais cara, sua matéria-prima é fornecida com exclusividade por somente uma empresa, sem concorrência, que torna incerto seus aumentos futuros".


Ociosidade. Segundo Haddad, se não houver  "esforço dos supermercados e da população em geral", as duas centrais mecanizadas de triagem da cidade, onde é feita a coleta seletiva, correm o risco de ficar ociosas. O prefeito admitiu que, nestes primeiros meses de funcionamento, as centrais ainda são subutilizadas. "Temos que trabalhar no começo com a ociosidade porque senão nós íamos misturar o lixo que as famílias separam. A pessoa separa e você mistura, você cai em descrédito. Agora não. Nós temos capacidade para receber a coleta seletiva". 

Em 2014, foram inauguradas duas centrais mecanizadas de triagem: uma em Santo Amaro, na zona sul, e na Ponte Pequena, na região central. Cada uma delas custou R$ 33 milhões. Outras duas devem ser inauguradas até 2016, segundo a Prefeitura. 

Isenção. Um terço da cidade de São Paulo não pode ser multado por infringir a Lei das Sacolinhas. Segundo a Secretaria de Serviços, cerca de 32% das residências da capital ainda não dispõe de coleta seletiva e, portanto, não podem ser cobradas pela nova regra da Prefeitura. 

Atualmente, dez distritos da cidade não contam com o serviço, metade deles na zona leste: Guaianases, Jardim Helena, Iguatemi, Cidade Líder e Lajeado. Parelheiros, Jardim Ângela e Marsilac, na zona sul, além de Perus, na zona norte, e Raposo Tavares, na oeste, também não são atendidos por cooperativas nem por empresas de coleta.

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