'É deplorável', afirma Lula sobre conflito entre polícias de SP

Questionado sobre intervenção federal, presidente afirma que governo de SP tem condições de resolver a crise

Leonencio Nossa, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

17 de outubro de 2008 | 08h47

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou o confronto entre policiais militares e civis na capital paulista. "É uma coisa deplorável que aconteça esse conflito, porque (as polícias) são dois órgãos importantes do Estado", afirmou o presidente, antes de deixar a capital moçambicana na manhã desta sexta-feira, 17.   Veja também: Policiais civis do País podem parar em apoio à categoria em SP Futuro da greve preocupa e divide sindicatos e associações Erro de planejamento piorou situação do conflito entre polícias  Serra culpa CUT e PT por confronto entre polícias  'Serra joga nas nossas costas problema que é dele', diz PT-SP  'Teve policial atirando contra o Palácio dos Bandeirantes', conta o jornalista Marcelo Godoy   Galeria de fotos do conflito no Morumbi Policiais civis e militares entram em confronto em SP; assista  'PM tem obrigação de manter a ordem', diz José Serra  Manifestação de Polícia Civil foi feita por "minoria", diz Marrey Paulo Pereira da Silva diz que José Serra não está aberto ao diálogo  Antes da manifestação, Serra disse que 'não negocia com greve' Todas as notícias sobre a greve       Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção federal para evitar novos confrontos em São Paulo, Lula respondeu: "Depende. O governo federal só pode entrar se o governo estadual pedir. Eu penso que o governador (José Serra) tem todas as condições de resolver."   Troca de acusações    O governador José Serra está no Palácio dos Bandeirantes, onde dá entrevista a jornalistas. Serra, que na manhã de ontem afirmou que "não negocia com greve", acusou a manifestação dos policiais civis de ter cunho "político-eleitoral". Para o governador, estão tirando "proveito eleitoral" da greve. Serra associou a CUT e a Força Sindical ao PT e ao PDT e disse que deputados participaram da manifestação com interesse eleitoral. "Isso foi claramente articulado, instrumentalizado, com essa perspectiva político-eleitoral", acusou o governador.   Serra justificou a ação da Polícia Militar e disse que eles tentavam dissuadir os manifestantes e "evitar o uso da força". A Polícia Militar usou bombas de gás e atirou contra os manifestantes que tentavam chegar ao Palácio dos Bandeirantes. O presidente do PT em São Paulo, José Américo Dias, disse ao estadao.com.br que o governo de Serra tenta de forma "oportunista" jogar nas "costas do PT um problema que é dele".   O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força Sindical, divulgou nota no fim da tarde de ontem repudiando o confronto entre a Polícia Militar e Polícia Civil. No comunicado, a Força Sindical destacou que "é intolerável que um governador eleito democraticamente utilize métodos truculentos contra servidores em luta. Demandamos que o governo do Estado retome o caminho da negociação e atenda as justas reivindicações dos policiais civis, pois valorizar a função e a carreira do policial é parte fundamental de uma política de segurança pública democrática e eficiente."   O conflito    Policiais militares e civis entraram em conflito por volta das 16 horas desta quinta. O confronto aconteceu durante o protesto dos civis, que estão em greve desde o dia 16 de setembro. O confronto começou quando a PM barrou a passagem de uma passeata dos policiais civis rumo ao Palácio do Bandeirantes, sede do governo estadual.   A PM foi chamada ao local para fazer a segurança da área próxima ao Palácio do Governo, que é considerada de segurança. Após o confronto, o governo do Estado enviou comunicado com a resolução da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo que proíbe manifestações perto do palácio.   A nota explica que todos os protestos realizados na região das avenidas Morumbi e Giovani Gronchi e das ruas Combatentes do Gueto, Rugero Fazzano e Padre Lebret, são desviados para outros locais, obrigatoriamente. A zona delimitada como Área de Segurança está decretada através da resolução 141, de 20 de outubro de 1987.  

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