E a Mocidade ainda não sabia se comemorava

Até as 20h, não havia anúncio oficial; escola que venceu incêndio em janeiro e cantou Jorge Amado aguardava para celebrar o 8º título

O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2012 | 03h04

E o carnaval de São Paulo terminou sem festa. Até 20 horas, não havia uma definição oficial sobre a campeã do carnaval paulistano, o que estragou a comemoração da Mocidade Alegre. A escola da zona norte - que precisava de apenas um 9,9 entre as duas notas que restavam ser anunciadas para festejar - aguardava apreensiva uma definição.

A escola de samba do Limão seguia com a quadra lotada, em silêncio, na expectativa de uma reunião dos presidentes de escolas de samba, que continuava até as 20 horas. Segundo o presidente da Liga das Escolas de Samba, Paulo Sérgio Ferreira, caso não se conseguisse terminar a apuração, por causa dos votos rasgados, a classificação - no exato momento que teve início a confusão - seria mantida.

"Tem escola que não sabe perder", disse Ferreira. "O jogo é jogado, a regra é clara. Vamos ver se tem possibilidade de levantar as duas notas que faltam. Se não tiver, vamos manter o resultado." Se isso ocorrer, Camisa Verde e Branco (uma das mais tradicionais escolas paulistanas) e Pérola Negra serão rebaixadas.

A Morada do Samba. Caso se confirme o oitavo título da Mocidade, ela passará a ser a quarta maior ganhadora do carnaval, atrás apenas da própria Camisa (9 títulos), da Nenê de Vila Matilde (favorita do Grupo de Acesso, que já tem 11 troféus) e da Vai-Vai (14 vitórias). Curiosamente, quando a Mocidade surgiu, em 1967, a Nenê já detinha seis títulos e a Unidos do Peruche (hoje no Acesso), cinco.

Conforme os fundadores da agremiação do Limão, nos anos 50 e 60 muitos grupos de homens fantasiados de mulher saíam pela ruas do bairro no carnaval. Entre eles estava o Mariposas Recuperadas - inspirado na frase "Ônibus Recuperados pela Prefeitura", colocada nos coletivos pelo prefeito Jânio Quadros. O grupo fundado em 1952, por Juarez Cruz, que era de Campos dos Goytacazes (Rio), Com a introdução de mulheres e crianças, foi esse bloco que deu origem à escola de samba Mocidade Alegre. Nos anos seguintes, ganhou a denominação carinhosa de "Morada do Samba".

Campeã do Grupo 3 em 1969, venceu o Grupo 2 em 1970 e levou o título do então Grupo 1 (hoje Grupo Especial) logo no seu primeiro ano. Conseguiu emplacar cinco anos de vitórias ininterruptas com o tricampeonato do Grupo Especial, em 1973.

Superação. Após o título de 2009, a Mocidade veio neste ano com garra renovada, para superar o incêndio que atingiu seu barracão em janeiro. O enredo, com base no livro Tenda dos Milagres, de Jorge Amado, ganhou as arquibancadas, sobretudo graças ao show da bateria. Neste ano, foi Aline Oliveira, de 22 anos, rainha da ala, quem cadenciou o som da escola. Em três momentos ao longo do desfile, ela subiu em uma plataforma móvel em meio aos ritmistas, e tocou um surdo no mesmo tom que o restante da bateria. A plateia foi ao delírio.

Também não faltou, na bateria do Mestre Sombra, o movimento chamado "cubo mágico", no qual o grupo se divide e alterna de posição. "Quando o pessoal vê que é a Mocidade, já pensa que vai ter surpresa na bateria. Virou uma obrigação", disse Sombra no sambódromo.

Segundo a musa, a ideia da performance foi do Mestre. "Graças a Deus deu tudo certo. Ensaiamos uma vez só, na terça-feira, até para manter a surpresa. No ensaio, estava com medo de cair de cima da plataforma. Mas quando o desfile começou, eu me soltei."

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