É a droga de uma sociedade com pressa e sem valores

Sem um investimento maciço do poder público nunca será possível conter o avanço do crack no Brasil. Isso porque o combate não é simples. Inclui ações individualizadas, um sistema forte de saúde, equipes grandes e reforço no atendimento nas ruas. As responsabilidades têm de ser divididas entre os governos federal, estadual e municipal. Mas não é só...

Ana Raquel Santiago de Lima, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2010 | 00h00

Há uma questão de fundo, que não pode ficar por trás de números e programas. Há a questão humana: o crack é hoje a droga disponível para atender a uma sociedade imediatista, sem valores, que tem pressa e quer uma substância que vá direto ao ponto. Devemos afinar, portanto, o diálogo com essa comunidade, sobretudo com a juventude. Temos de ter uma conversa franca. É necessário um trabalho forte de valorização da vida, de fortalecimento da família e das relações e de criação de oportunidades.

Pensando nas pessoas, é importante uma ação sobretudo nas comunidades mais vulneráveis. Nesse ponto, as polêmicas políticas de redução de danos devem ser repensadas, em um processo amparado na pessoa e na família. O que muitas vezes vai passar por um estágio de troca do crack por uma droga mais leve. Depois em um segundo passo, será possível ao usuário fazer um balanço mais positivo entre os prós e contras do uso das drogas.

Não há uma pílula que resolva os problemas das drogas: é um esforço de toda a sociedade. Daqui a pouco aparece outra droga e estaremos ainda falando sobre isso.

É PSIQUIATRA ESPECIALIZADA EM SAÚDE MENTAL

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