Dúvidas calam funk e pagode

Reunião hoje deve esclarecer sobre novas regras

. , O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2011 | 03h03

Baile funk, pagode na rua, música ao vivo nos bares, carros com caixas de som em alto volume. Nada disso está proibido oficialmente na Rocinha. Mas, ainda em dúvida sobre o novo código de conduta no morro, sem traficantes e com polícia 24 horas, boa parte da população prefere ser cautelosa e vem se autoimpondo um toque de recolher. Da noite de sábado até ontem, bares e restaurantes registraram queda de 50% no movimento.

São dias em que as ruas mais movimentadas estariam lotadas. No sábado, com a iminência da chegada da polícia, ficaram desertas. No domingo, com a ocupação já instalada, não houve grande mudança. Na segunda, véspera do feriado, faltou cerveja nos bares, já que os distribuidores de fora, temendo eventual reação dos bandidos, ficaram receosos de mandar seus caminhões para reabastecê-los.

"As pessoas demoram mesmo para se acostumar. Ontem a gente teria música ao vivo, mas dispensei o cantor, porque sabia que não encheria", contou Flavio Rodrigues, do restaurante Varandas, na tumultuada Via Ápia, mostrando as mesas vazias em plena hora do almoço. "Temos um restaurante no Rio das Pedras (favela de Jacarepaguá, na zona oeste, controlada por milicianos) e lá nesse momento está lotado."

"Normalmente, em uma véspera de feriado eu sairia para beber ou comer pizza à noite, mas achei melhor ficar em casa, porque não sei o que pode acontecer", disse o mototaxista José Ronaldo de Araújo, de 35 anos, cujas viagens caíram pela metade mesmo durante o dia.

Adolescentes reclamam que as quadras de futebol estão com os jogos suspensos por tempo indeterminado e os bailes agora terão horários mais rígidos. "Para quem gosta de bagunça, de baile funk, talvez a UPP não seja boa, mas para quem só quer trabalhar e viver bem, é bem-vinda", pontuou uma caixa de pizzaria, que também viu o movimento diminuir.

O novo ordenamento causa estranheza. "Não pode mais nada. Tenho três filhos para criar e fui tirado do mototáxi só porque não tenho habilitação", reclamava um rapaz de 18 anos.

O comandante do Bope, René Alonso, explicou que nada foi decidido ainda. Uma reunião hoje, às 16h, servirá para que os moradores tirem dúvidas sobre "as novas regras". "É um novo tempo. Mas não existe toque de recolher, todo mundo pode tudo. Só tem de respeitar os direitos dos outros. Tem de ser como nos bairros."

Ou seja: estacionamento em lugar proibido, condução sem habilitação, baile funk e shows de música até o sol nascer - que ferem a Lei do Silêncio e seu limite das 22 horas - deverão agora passar a ser regulamentados/ R.P.

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