Duque de Caxias tinha 40 toneladas de detritos

Cidade do Rio destruída por enchentes estava sem coleta regular havia três meses

O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2013 | 02h02

RIO - O acúmulo de lixo em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, provocado pela falta de coleta regular nos últimos três meses, agravou os estragos causados pelo temporal de quinta-feira. No município, uma pessoa morreu, mil estão desalojadas (temporariamente fora de suas casas) e 276, desabrigadas (tiveram as casas destruídas). A força das águas destruiu 45 casas e outras 200 foram danificadas.

Segundo o prefeito Alexandre Cardoso (PSB), recém-empossado, a administração anterior, de José Camilo Zito dos Santos (PP), deixou 50 toneladas de lixo acumuladas. Dez toneladas foram retiradas nos dois primeiros dias do ano, mas as 40 restantes, com a força das chuvas da madrugada de quinta-feira, se misturaram à lama e ao entulho que desceu dos morros, o que dificultou a vazão das águas dos rios.

Assoreamento. O lixo, segundo Cardoso, prejudicou ainda mais a dragagem, especialmente do Rio Capivari, que inundou e causou grandes danos no distrito de Xerém. "Todo o sistema de drenagem está assoreado, pois entrou lixo nas galerias", afirmou o prefeito. A previsão da prefeitura é de que em 48 horas todo o entulho seja retirado das ruas e "em no máximo cinco dias" toda a cidade esteja sem lama, para recomeçar o trabalho de drenagem.

Derrotado na tentativa de reeleição em outubro, Zito tem sido procurado há vários dias pela reportagem do Estado, mas não foi encontrado. Em sua casa, um homem que não se identificou disse não saber quando o ex-prefeito estará de volta. Em 20 de dezembro, agentes da Polícia Federal recolheram documentos e computadores na residência - Zito é investigado por suspeitas de desvio de verbas da saúde.

Na tarde de ontem, não havia lixo acumulado na calçada na frente da casa de Zito. Mas montanhas de detritos se espalhavam em ruas próximas. Em Xerém, moradores relataram que, pela falta de coleta, muitos jogavam lixo nos rios. Ontem, além do lixo, móveis e eletrodomésticos formavam pilhas nas esquinas.

Mortes. As chuvas causaram duas mortes no Estado: a de Duque de Caxias e outra na capital. Na manhã de ontem, foi encontrado o corpo do jornalista Roberto Magessi, de 49 anos, morto em consequência de um deslizamento na Estrada da Paz, no Alto da Boa Vista, zona norte do Rio. Segundo a Polícia Militar, Magessi verificava uma caixa d'água do prédio onde morava quando foi atingido por uma árvore e morreu.

O corpo de Luiz Carlos da Silva, de 63 anos, morto em Xerém, foi identificado ontem. A causa da morte não foi esclarecida. / ANTONIO PITA, MARCELO GOMES, HELOISA ARUTH STURM, LUCIANA NUNES LEAL.

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