JOSÉ MARIA TOMAZELA/ESTADÃO
JOSÉ MARIA TOMAZELA/ESTADÃO

Duplicação de estradas atrasa no interior de São Paulo

Obras somam 131 quilômetros e causam transtornos para motoristas; uma delas, a João Leme dos Santos (SP-264), já foi adiada cinco vezes

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

17 Agosto 2016 | 03h00

SOROCABA - Seis trechos de rodovias estaduais estão com o cronograma de duplicação atrasados e criam transtornos para os motoristas no interior de São Paulo. Quatro obras já em andamento estão marcadas pelos sucessivos adiamentos na entrega. Outras duas foram lançadas, mas ainda não saíram do papel. São trechos rodoviários administrados pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão do governo estadual.

Juntos, somam 131,1 quilômetros de estradas em processo de duplicação, ligando regiões importantes do interior. Uma delas, a João Leme dos Santos (SP-264), que liga Sorocaba a Salto de Pirapora, já teve a entrega adiada cinco vezes. Palco frequente de acidentes graves, a estrada dá acesso ao câmpus da Universidade Federal de São Carlos (UfsCar), condomínios residenciais e é rota de escoamento de produção agrícola.

Iniciada em novembro de 2013, a duplicação deveria ter sido concluída em fevereiro de 2015, mas as máquinas continuam no leito da estrada. As obras se concentram em seis quilômetros, da intersecção com a Rodovia Raposo Tavares até o condomínio Fazenda Imperial. Os motoristas reclamam de desvios mal sinalizados e da retenção excessiva do tráfego. O DER informou que 51 processos de desapropriação, alguns ainda em andamento, e interferências com linhas de gás, energia e fibra ótica ocasionaram o atraso.

A duplicação da Rodovia Geraldo de Barros (SP-304), que liga Piracicaba à estância turística de São Pedro, foi adiada pela quarta vez. A obra, em uma extensão de pouco mais de dez quilômetros, deveria ter sido entregue em outubro de 2015. Na ocasião, o DER anunciou que a entrega seria em março deste ano. Próximo da data, houve novo adiamento para o mês de setembro. O DER atribuiu a problemas com duas desapropriações e troca de comando na empresa vencedora da licitação. A conclusão, agora, está prevista para abril de 2017. A estrada é o principal acesso à região turística de Santa Maria da Serra e a Águas de São Pedro, considerada estância hidromineral. 

Um trecho de 300 metros impede que a rodovia Waldomiro Corrêa de Camargo (SP-79), entre Sorocaba e Itu, seja totalmente duplicada. Iniciada em outubro de 2012, a obra deveria ter ficado pronta em maio de 2014. O DER alega que 14 desapropriações foram parar na Justiça. Enquanto isso, os trechos que já ficaram prontos estão se deteriorando. A via recebe tráfego intenso entre a Rodovia Castelo Branco e o distrito industrial de Sorocaba, e os congestionamentos são diários.

A duplicação da Rodovia Dona Leonor Mendes de Barros (SP-333), do km 314 ao 323, entre Marília e Júlio de Mesquita, começou em novembro de 2013 e deveria ficar pronta em fevereiro de 2015. As obras avançaram até outubro daquele ano e pararam, sem serem concluídas. O DER informou que a paralisação foi necessária para readequações no projeto executivo e cronograma orçamentário. "Somente após a conclusão das adequações será possível definir novos prazos", informou.

O governo anunciou a duplicação de trechos em outras duas rodovias estaduais, mas, apesar dos projetos terem sido lançados, as obras não foram iniciadas. A nova pista da Bunjiro Nakao (SP-250), entre Ibiúna e Vargem Grande Paulista, deveria ter sido iniciada em junho de 2015, mas ainda não saiu do papel. A estrada é opção de acesso do sudoeste paulista à Grande São Paulo e escoa a produção do cinturão verde de Piedade e Ibiúna.

A duplicação da Rodovia Alkindar Monteiro Junqueira (SP-063), entre Itatiba e Bragança Paulista, tinha previsão para começar em maio de 2016. No caso da Bunjiro Nakao, o DER informou que o contrato de obras no valor de R$ 170 milhões recebe ajustes do órgão financiador. Já sobre a SP-063, o órgão estadual informou que o projeto foi concluído e a obra, orçada em R$ 219,3 milhões, será licitada. 

Moradora atropelada em rodovia relata três anos de 'aflição'

"É um convívio horrível com barulho de máquinas, poeira, buzinas, freadas. Já foram três anos de aflição e parece que a obra não termina nunca", diz a dona de casa Nasária Fernandes de Moraes, de 49 anos, moradora do bairro Green Valley, em Votorantim, cortado pelas obras de duplicação da SP-264. Apesar dos transtornos, ela acredita que a duplicação vai reduzir acidentes no trecho onde, há seis anos, ela quase perdeu a vida. "Desci do ônibus do outro lado e tentava cruzar a estrada, mas uma moto me pegou em cheio." Foram meses de hospital e dez cirurgias para salvar a perna direita, que precisou levar vários pinos. "Meu joelho ainda não dobra", diz.

Outro morador, o pedreiro Hélio dos Santos, de 45 anos, conta que as obras isolaram o bairro. "Não tinha como sair de carro, pois a passagem ficou bloqueada por mais de um ano e a gente era obrigada a fazer o retorno muito longe." O problema maior, segundo ele, foram as muitas paralisações no serviço. "Começava, parava, não tinha fim. Várias vezes fomos avisados da data da inauguração e nada. Espero que agora terminem."

O porteiro Antonio Natalino de Arruda, de 53 anos, conta ter presenciado muitos acidentes causados pelas obras. "Tiraram as lombadas e os carros passam em alta velocidade, mas quando o trânsito trava, aí acontecem colisões." Comerciantes instalados no trecho urbano da rodovia, em Sorocaba, reclamam do prejuízo. "Ficamos quase sem acesso e o movimento caiu mais de 50%", afirma Carlos Tavares, dono de um restaurante. Quem usa diariamente a estrada também reclama. "Somando o tempo perdido de manhã e à tarde, dá quase uma hora por dia apenas no trecho em obras", diz o motorista Sérgio Santos Silva, morador de um condomínio da região.

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