Reginaldo Pupo/AE
Reginaldo Pupo/AE

Duplicação da Tamoios fica para março

Governo estadual atrasa início da obra em dois meses, mas promete entregar o trecho de planalto, de 53 km, até dezembro de 2013

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2011 | 00h00

O governo estadual remarcou para março o início da duplicação da Rodovia dos Tamoios - a primeira parte da obra, antes anunciada para janeiro, contemplaria apenas 21 km de estrada. Agora, serão 53 km de duplicação inicial, o que corresponde a toda a parte de planalto antes da Serra do Mar. Segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB), a previsão é de que o trecho fique pronto em novembro de 2013.

A obra será financiada pelo Estado e vai servir como contrapartida na Parceria Público-Privada (PPP) de R$ 4,8 bilhões a ser firmada para a duplicação completa da Tamoios, que inclui ainda, em uma segunda fase, o trecho de serra até Caraguatatuba, dois contornos na SP-055 - para São Sebastião e para Caraguatatuba - e a ampliação do Porto de São Sebastião.

Para a primeira fase, Alckmin firmou um convênio de R$ 1 bilhão com a Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa) e o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) que inclui, além dos 53 km de duplicação, licenciamento ambiental e desapropriações. O governo não informou quantas famílias serão removidas.

O atraso de dois meses no cronograma inicial foi minimizado pelo governador. "Em março acaba o verão, não atrapalha o trânsito do litoral, param as chuvas e começa o período de estiagem", disse Alckmin. A duplicação que já está sendo feita até o km 11,5 da Tamoios está prevista para terminar em dezembro.

Para as obras do km 11,5 ao km 64,4 será aberta uma licitação em dois lotes, o que significa duas empresas trabalhando simultaneamente. "Enquanto isso, ganhamos tempo para aprovar os estudos de impacto ambiental do trecho de serra, dos contornos e do porto para poder lançar a PPP", afirmou Alckmin.

Pedágio. Com a PPP, o governo desistiu de conceder a Tamoios ao grupo Andrade Gutierrez, que seria responsável pelas obras seguindo um contrato firmado em 1993. "Quando pensamos em duplicar a Tamoios nosso modelo era o sistema Ayton Senna-Carvalho Pinto (que opera por concessão). Mas, se a Tamoios fosse toda concedida, o pedágio ficaria muito caro para viabilizar o investimento da empresa", explicou Alckmin.

Mesmo com parceria do governo, a Tamoios vai ser pedagiada - podem existir até três praças de cobrança no primeiro trecho da rodovia, segundo a Dersa.

A segunda fase da obra - a duplicação dos 17 km do trecho de serra, o mais congestionado - não tem cronograma. Mas os planos da Dersa, de acordo com estudos preliminares feitos pela companhia, são construir uma pista totalmente nova no meio da Serra do Mar, menos sinuosa e com nove viadutos e cinco túneis. Um desses seria o maior túnel do Brasil, com 6 km de extensão. "São propostas, mas só podemos afirmar como será a obra quando sair o licenciamento", afirmou o presidente da Dersa, Laurence Lourenço, citando os túneis da Rodovia dos Imigrantes como exemplo do que pode ser feito na Tamoios.

Tráfego. Carregada principalmente no verão por ser a principal ligação para o litoral norte, a Tamoios vai receber o dobro de carros até 2035, segundo estimativa da Secretaria de Estado dos Transportes. Hoje, o volume diário médio de veículos é de 16,5 mil - em 2025, subirá para 21 mil e, dez anos depois, para 30 mil carros, fluxo parecido com o que já recebe em férias e feriados.

 

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