Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Duplicação da Serra do Cafezal na Régis começa em abril

Trecho de 19 km era o único com pista simples da rodovia, principal ligação entre São Paulo e o sul do País; obras devem levar mais de 3 anos

José Maria Tomazela , O Estado de S. Paulo

29 de dezembro de 2012 | 12h12

SOROCABA - O último trecho de pista simples da rodovia Régis Bittencourt (BR-116), principal ligação entre São Paulo e o sul do País, começa a ser duplicado em abril de 2013. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), autorizou sexta-feira, 28, as obras de transposição da Serra do Cafezal, em Juquitiba. A licença de instalação, assinada pelo presidente do órgão, Volney Zanardi Junior, permite duplicar o trecho mais íngreme e perigoso da serra, entre os quilômetros 344 e 363. Além de acidentes e congestionamentos, os usuários ficam à mercê de arrastões. O início das obras só depende da conclusão de processos de desapropriação.

A duplicação da serra é reivindicada há mais de vinte anos por prefeitos do Vale do Ribeira, região cortada pela rodovia. É a principal obra prevista no contrato de concessão assinado com a empresa OHL em fevereiro de 2008. O trecho é o único em pista simples dos 402,6 quilômetros entre São Paulo e Curitiba - outros 11 km, nas extremidades da serra, estão em fase final de obras. A autorização para a obra esbarrava na questão ambiental. A rodovia corta um trecho exuberante de Mata Atlântica, numa região repleta de nascentes. A duplicação seria iniciada em 2002, mas o Ibama cancelou a licença.

O projeto foi modificado para reduzir a área desmatada. O trecho terá 24 pontes e viadutos (5,66 km) e quatro túneis (1,84 km), que correspondem a 40% da extensão da obra. Ainda assim, 114 hectares serão desmatados, dos quais 34 em Área de Preservação Permanente (APP). A empresa terá de adotar medidas para reduzir e compensar os danos ambientais. A duplicação teve o custo elevado para R$ 700 milhões. O superintendente da concessionária, Eneo Palazzi, lembrou que toda a rodovia, inaugurada em 1961, foi feita em seis anos. Se a mesma rodovia fosse construída hoje seriam necessários mais de vinte anos em razão das restrições ambientais. Ele acredita que as obras no trecho devem ultrapassar o prazo de três anos previsto inicialmente.

Mortalidade. Dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que apenas na Serra do Cafezal ocorrem 42 acidentes por mês. Desde o início do ano, 134 pessoas morreram na rodovia entre São Paulo e Curitiba e os casos mais graves ocorreram nesse trecho. Pelo local passam 26 mil veículos por dia e os caminhões respondem por 70% do movimento. Além do risco dos acidentes, motoristas e usuários também são alvos dos ladrões. De acordo com a PRF, grupos de marginais aproveitam o afunilamento da pista na Serra do Cafezal para atacar os veículos. Os principais alvos são os caminhões-baú de grandes transportadoras que geralmente carregam cargas de maior valor.

Agora, os ladrões passaram a atacar também carros de passeio em busca de celulares, máquinas fotográficas e computadores portáteis. Mapeamento indicou como pontos mais vulneráveis o trecho entre o km 334 e o 337, no Distrito dos Barnabés, em Juquitiba, no início da descida, e os arredores do km 340, no Bairro do Engano, em Miracatu, onde começa a subida da serra. Nestes locais, grupos com até vinte pessoas forçam a porta dos baús e saqueiam em poucos minutos seu conteúdo. A carga é escondida nos matagais às margens da rodovia. Segundo a PRF, a maior dificuldade no combate a estes criminosos é que, na maioria, os assaltantes são menores de idade.

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