Duelo verbal com Gianecchini no Teatro Faap

Depois de interpretar o calhorda Fred em novela da rede Globo, agora ator se dedica em tempo integral a Gustavo, seu personagem na peça Cruel

19 de junho de 2011 | 13h48

A vilania vem acompanhando o trabalho do ator Reynaldo Gianecchini - depois de se esmerar na calhordice de Fred, um dos protagonistas da novela Passione, agora ele se dedica em tempo integral a Gustavo, homem que usa apenas as palavras para causar o mal absoluto. "Mas, desta vez, o processo foi mais angustiante e sofrido", conta o ator que, ao lado de Maria Manoella e Erik Marmo, estreia a peça Cruel, no dia 27, no Teatro Faap, que abre horários alternativos para espetáculos, às segundas e terças-feiras.

Trata-se de um projeto arrojado. Escrito pelo dramaturgo sueco August Strindberg (1849-1912), o texto mostra como três personagens se digladiam até que  terminem em uma situação mais arrasadora que antes. Em Cruel, o que predomina é violência psicológica. "Um homem mata o outro apenas com o poder de persuasão das palavras", observa Marmo, que também passou por um intenso processo de preparação.

É um momento único, esse vivido pelos atores. Dispostos a mostrar que não são apenas galãs de novelas, saíram em busca de uma montagem desafiadora. Bateram em várias portas até encontrarem duas amigas, as divulgadoras e produtoras Célia Forte e Selma Morente, que queriam justamente montar o elenco para uma peça que é uma verdadeira provação. Cruel - que, na realidade, é outro título para Os Credores - revela as minúcias de uma degradação mental.

Gustavo (Gianecchini) encontra-se com o amigo Adolfo (Marmo), agora casado com Tekla (Maria Manoella), escritora bonita e sedutora. Durante um momento de ausência da mulher, Gustavo aproveita para testar o amor do frágil Adolfo que, inseguro, aceita esconder-se para que o (suposto) amigo teste a fidelidade de Tekla. A resolução é trágica.

"Strindberg promove um intenso debate de ideias e foi o primeiro autor a transformar o espectador em voyeur, como se observasse pelo buraco da fechadura", comenta Elias Andreato, diretor e autor da adaptação do original. "Decidi trocar o título Os Credores por Cruel porque esse se aproxima mais das intenções do texto, que oferece uma arguta observação do cotidiano da alma humana."

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