Duas vítimas de desabamento são enterradas no Rio e em SP

Ana Lúcia foi enterrada no Catumbi, zona norte; Maria de Lurdes foi sepultada em Vila Alpina, na zona leste

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2009 | 10h29

Cinco bispos e dez pastores da Igreja Renascer estavam entre as cerca de 40 pessoas que acompanharam o enterro da vendedora autônoma Ana Lúcia Menezes, de 39 anos, no Cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, zona norte do Rio. Já em São Paulo, parentes e amigos acompanharam o enterro de Maria de Lurdes da Silva no cemitério São Pedro, na Vila Alpina. A cerimônia foi feita na manhã desta terça-feira, 20. Mais de 100 pessoas foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros e Samu e nove morreram na tragédia. Cerca de 20 continuaram internadas nos hospitais da capital paulista   A imprensa não pôde acompanhar o sepultamento da vendedora. Funcionários do cemitério,que é cercado por favelas, avisaram que traficantes não permitem a presença de fotógrafos na parte mais alta, onde Ana Lúcia foi enterrada. Os criminosos acompanharam a movimentação de repórteres de uma laje cercada com muro de concreto.   Veja também: Igreja desabou por falta de manutenção, dizem técnicos Casal Hernandes pode voltar ao Brasil em junho Igreja usa mídia própria para falar em 'milagre' Em tragédia de templo em Osasco, crime prescreveu Interdição no entorno da Renascer deixa 15 pessoas desalojadas Troféu de Kaká não estava no templo; jogador casou no local Casal Hernandes divulga nota sobre desabamento Igreja Renascer divulga lista das vítimas do desabamento  Galeria de fotos: imagens do local e do resgate às vítimas  Todas as notícias sobre o desabamento na Igreja Renascer      A família de Ana Lúcia, católica, não havia dado por falta dela e somente na segunda os pais e o filho único tiveram a confirmação de que ela estava entre as vítimas do desabamento do teto do templo. O estudante de Letras Thiago Menezes, de 20 anos, que passa as férias no Rio com os avós, contou que a mãe havia mudado para São Paulo há cerca de 10 anos.   Segundo o rapaz, ela frequentava a Igreja Universal do Reino de Deus, e que, no dia do desabamento, tinha ido pela segunda vez ao templo da Renascer, perto de casa - Ana Lúcia morava em Moema. "Quando vimos a reportagem sobre o acidente, minha avó chegou a comentar: 'Ai, meu Deus, minha filha perdida em São Paulo'. Mas eu a tranquilizei: 'Relaxa, vó. Ela não frequenta lá'. Não podíamos imaginar".   A Renascer arcou com todas as despesas - as passagens para a irmã e o cunhado de Ana Lúcia fazerem o reconhecimento do corpo, traslado e enterro. O bispo Christian Paz disse que outras questões, como indenização, devem ser tratadas diretamente em São Paulo.   "Essas informações são centralizadas em São Paulo. Viemos aqui fazer a parte eclesiástica, de acompanhamento, solidariedade. A mensagem que trazemos à família é de que a dor deles é a nossa dor. Eles entendem que foi uma fatalidade. Nós não temos respostas e também queremos respostas", afirmou o bispo.   Muito abatidos, os pais de Ana Lúcia, Hobelito e Maria dos Santos Menezes, de 65 e 64 anos respectivamente, acompanharam o enterro da vendedora, que completaria 40 anos no próximo dia 28.   Atualizado às 18h36 para acréscimo de informações.

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