Duas pessoas morrem após tumulto em Saquarema

Cerca de cinco mil foliões participavam do carnaval na região quando houve uma briga e troca de tiros

Pedro Dantas, de O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 14h14

Um desfile de trio elétrico deixou dois mortos e onze feridos no carnaval da orla marítima de Saquarema, cidade turística na Região dos Lagos no Rio, na última segunda-feira. De acordo com testemunhas, uma briga entre dois homens que seguiam o cortejo terminou em tiros, quando cerca de 5 mil pessoas brincavam ao som da música na Avenida Ministro Salgado Filho. Policiais, porém, investigam versão diferente para o duplo assassinato. Os mortos são o soldado do 18º Batalhão da Polícia Militar Júlio César Fernandes Santana e o enfermeiro Bruno dos Santos de Sá, ambos baleados.     Uma das testemunhas, a secretária Isaura Fraga, contou que o pânico tomou conta da multidão no momento da confusão e relatou que a briga envolveu mais de duas pessoas. "A multidão se abriu e as cadeiras voaram. Achava que aquilo ia terminar. De repente, ouvimos os tiros e depois vi um rapaz caído", disse a mulher. Segundo ela, foram feitos muitos disparos.   Dez feridos foram liberados. A maioria sofreu tiros de raspão e escoriações. Uma mulher não identificada permanecia internada no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Nossa Senhora de Nazareth até ontem à tarde.   Versões   Testemunhas e policiais contaram versões diferentes para o tiroteio - conseqüência de uma discussão fortuita para uns, mas crime aparentemente com outro motivo, segundo apuraram as primeiras investigações feitas por policiais civis lotados na delegacia da cidade.   Pessoas que presenciaram a briga afirmaram que uma mulher não-identificada esbarrou no soldado da PM, que teria reclamado de forma agressiva. A mulher respondeu e foi empurrada por ele. Um homem que a acompanhava reagiu e trocou socos com o policial. No meio da briga, um deles sacou a arma e começou um intenso tiroteio. O menor J., de 16 anos, ferido com um tiro de raspão confirmou essa versão. "A única coisa que vi foi um homem forte discutindo com uma mulher. Em seguida, ouvi os tiros", disse o adolescente.   Um amigo do soldado morto, que preferiu não se identificar, porém, afirmou que estava com o policial militar e o enfermeiro dentro de um carro, ouvindo música, quando o grupo escutou os disparos. Em seguida, um homem foi até eles, matou Santana a tiros e levou a pistola 380 do policial. Ele afirmou que não sabe se o enfermeiro foi morto por um segundo homem.   Investigadores da 124ª Delegacia de Polícia de Saquarema ainda não têm a identificação do atirador, mas suspeitam que ele também seja da Polícia. Segundo os agentes, o balneário é muito freqüentado por policiais de folga. Pouco antes do tiroteio, alguns deles estavam à paisana ouvindo funk no volume máximo, quando foram advertidos por PMs de Saquarema. Eles teriam se identificado e continuado a ouvir o som alto, que abafava a música carnavalesca, apesar das reclamações de outros turistas.   Interior   Em Cordeiro, cidade da Região Centro-Norte fluminense com baixos índices de criminalidade, um homem foi assassinado na sua residência, aparentemente num crime premeditado. A casa de Antonio Henrique Silva Campelo, 24 anos, foi invadida por dois homens encapuzados. Eles entraram na casa de Campelo, no bairro Jardim de Alah, trancaram sua mulher e filho no banheiro e o assassinaram a tiros. O crime está sendo investigado pela 154 ª Delegacia de Polícia (DP). A família de Campelo, segundo policiais que investigam o caso, está em estado de choque. Até o início da noite, não pistas dos assassinos.     (colaborou Nilson Brandão Júnior)

Tudo o que sabemos sobre:
TumultoSaquarema

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.