Duas escolhas definiram destino de Ferreira Pinto

Nomeações para o comando da Rota e da PM contribuiram para queda de ex-secretário

Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo,

22 Novembro 2012 | 02h03

A aposta mais arriscada de Antonio Ferreira Pinto provocou sua queda. Em 2009, quando assumiu a Segurança Pública no governo de José Serra, ele decidiu usar a Rota na busca e captura de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) com base em informações da inteligência da polícia e dos presídios. Tudo parecia bem até que o secretário fez duas escolhas que selaram seu destino: nomear Salvador Modesto Madia para a Rota e Roberval França para o comando da PM. Foi sob a chefia do primeiro que ocorreram as ações mais contestadas da Rota, que provocaram a decisão do PCC de matar policiais. O problema com Roberval seria o estilo de comando, considerado imperial por vários coronéis. "Ele pensa que se comanda apenas com o RD (Regimento Disciplinar)", disse um coronel. E assim ficou difícil comandar a PM. As matanças na periferia se sucediam a ponto de Ferreira Pinto desconfiar de envolvimento de PMs.

Com a guerra não declarada de PMs e PCC, Ferreira Pinto perdeu seu principal trunfo: a promessa de controle da facção. Desde 2006, quando a convite do governador Claudio Lembo assumiu a Administração Penitenciária após os ataques do PCC, ele criou fama de ter posto ordem nos presídios. Esse trabalho o habilitou a chefiar a Segurança em 2009, em meio a denúncias de corrupção na pasta. Ferreira afastou e demitiu acusados de corrupção. E fez sua aposta com a PM. Ao ser eleito em 2010, Geraldo Alckmin não se havia decidido em ficar com Ferreira Pinto, mas acabou emparedado: ou o mantinha, ou corria o risco de ser acusado de ceder à banda podre da polícia. O secretário tinha ainda padrinhos fortes: o senador Aloysio Nunes Ferreira e Serra. Alckmin o manteve. Mas não se esqueceu por quê. Veio a crise, a perda de força dos padrinhos, o bate-boca de Ferreira com o governo federal e a necessidade de "virar a página", "dar um novo ânimo à pasta". E assim caiu o secretário.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.