Câmeras de segurança/ Condomínio da região
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Adolescente é apreendida por agredir estudante em Higienópolis

Outra adolescente também é procurada por espancamento de vítima de 14 anos que disse não estar com celular; segundo moradores, a dupla cometeu outros crimes na região

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2019 | 16h38
Atualizado 18 de outubro de 2019 | 09h13

Correções: 16/10/2019 | 22h09

SÃO PAULO - Por volta das 13h do dia 3 de outubro, uma estudante de 14 anos, que preferiu não ser identificada, voltava do colégio quando foi agredida por duas adolescentes na Avenida Higienópolis, entre a Rua Itacolomi e a Avenida Angélica, na região central da capital paulista, durante uma tentativa de assalto. Uma das autoras foi apreendida na tarde de terça-feira, 15, pela Polícia Civil. 

Segundo a investigação, a jovem é suspeita de praticar furtos na região de Higienópolis. Já a outra adolescente está identificada, teve sua internação provisória decretada pela Justiça, mas ainda não foi localizada, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).

O susto mudou a rotina de toda a família, que passou a se revezar para buscar a jovem na escola, a pedido dela mesma. "Neste ano, minha filha começou a voltar sozinha da escola. Com muito esforço, decidi que era preciso liberar, já que moramos perto do colégio. Ela sempre volta com amigas, mas infelizmente no dia do assalto, estava sozinha. Agora, ela não quer mais voltar da escola desacompanhada. Estamos nos revezando para levá-la e buscá-la", disse a mãe da vítima, que preferiu manter o anonimato.

A adolescente foi abordada por uma menina morena que a pegou por um dos braços e a pressionou contra a parede. "Disse que era um assalto e que deveria dar o celular. Quando minha filha respondeu que estava sem, ela não acreditou. Neste momento, a outra menina (loira) deu a volta e disse que minha filha deveria ir com elas. Ao questionar para onde, a loira a segurou. Ela reagiu e tomou vários socos na cabeça", recordou a mãe.

Ela acredita que a situação só não saiu do controle porque duas pessoas, que passavam pelo local, socorreram a adolescente. "Quando chegou em casa, foi um susto. Ela estava muito machucada, ficou com vários galos na cabeça. Fora o emocional. Esperei ela se acalmar e fomos até o 4º DP (Consolação) fazer o boletim de ocorrência". No mesmo dia, elas foram ao Instituto Médico Legal (IML) fazer o exame de corpo de delito. 

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Ela está num carrossel de emoções. Depois do reconhecimento das suspeitas, ela está muito quieta', disse a mãe.
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Duas semanas depois, a adolescente ainda está abalada. "Ela está num carrossel de emoções. Depois do reconhecimento das suspeitas, ela está muito quieta", disse.

No vídeo registrado pelas câmeras de segurança de um condomínio da região, é possível ver as duas adolescentes abordando a estudante. Após rápida conversa, começam as agressões. Pessoas que passavam pelo local tentaram impedir o ato de violência.

Segundo a mãe da vítima, ao entregar as imagens, o zelador do prédio disse que pretendia ir à polícia porque não era a primeira vez que as duas meninas praticavam crimes na região e apareciam nas filmagens. Ela e a filha, no entanto, nunca tinham visto as meninas antes. "Encaminhei as imagens à delegacia. Soube que uma das adolescentes já tem passagem pela polícia. A gente precisa fazer boletim de ocorrência para não deixar ninguém impune".

"Há dois meses, houve surto de assaltos, mas o policiamento ajudou a diminuir", disse Francisco Machado, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da região de Higienópolis e Santa Cecília. De acordo com ele, a ronda a pé e o policiamento a cavalo ajudaram a reduzir a criminalidade.

Para Fábio Fortes, ex-presidente do Conseg da região de Higienópolis e Santa Cecília, a comunidade integrada inibe ocorrências policiais. "Hoje a principal ferramenta para combater a insegurança pública tem sido os grupos de WhatsApp, criados pelo programa Vizinhança Solidária da Polícia Militar (PM), que está integrando comércio, síndicos e moradores", avaliou.  

Posicionamento

A SSP informa que a jovem suspeita de praticar o assalto foi localizada em uma invasão sob o viaduto Engenheiro Orlando Murgel, no Bom Retiro, no centro da capital paulista, e encaminhada ao 4º DP (Consolação), onde foi reconhecida por uma vítima.

Segundo a SSP, a menor teve o pedido de internação provisória acatado pelo juiz da 1ª Vara Especial da Infância e Juventude de São Paulo, e foi encaminhada para a Fundação Casa.

Outra menor, também apontada como autora dos crimes, foi identificada e teve sua internação provisória decretada.

Estatísticas

Segundo a SSP, entre janeiro e agosto deste ano, o 4º DP (Consolação) registrou 1.800 roubos, aumento de 25 casos em relação aos 1.775 casos registrados nos oito primeiros meses do ano passado.

Com relação aos furtos, foram 4.652 no mesmo período. O número representa queda de 5% em relação aos meses de janeiro a agosto de 2018, quando foram feitas 4.897 notificações.

Correções
16/10/2019 | 22h09

Inicialmente, a reportagem afirmou que as duas jovens, suspeitas de praticar o assalto, tinham sido apreendidas pela polícia. Na verdade, só uma foi apreendida. A outra está sendo procurada.

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