Drogas e mortes na pista

Uma nova pesquisa revelou que metade dos jovens motoristas dos Estados Unidos que morreram em acidentes de carro nos últimos anos estava sob a influência de álcool, maconha, ou de ambos. Os dados da Universidade Columbia, em Nova York, publicados na revista especializada Injury Epidemiology, foram registrados em nove Estados americanos.

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2015 | 02h01

Foram avaliados 7.191 acidentes fatais envolvendo motoristas com idade entre 16 e 25 anos em Estados onde são feitos testes toxicológicos, com amostras de sangue dos motoristas acidentados. Mais da metade dos acidentes entre 1999 e 2011 foi registrada na Califórnia.

A análise indica que 50,3% dos jovens mortos apresentaram resultado positivo para álcool, maconha ou ambos. Entre eles, 36,8% estavam sob a influência de álcool, 5,9% de maconha e 7,6%, das duas substâncias. O padrão de uso de álcool foi alterado após os 21 anos, idade a partir da qual é permitido beber nos EUA. O consumo de álcool nos motoristas acidentados aumentou 14%, mas não houve alterações em relação ao uso de maconha. Já a associação de álcool e maconha também se tornou mais frequente.

Faz sentido pensar que, caso a legalização da maconha ganhe escala mundo afora, que campanhas de esclarecimento da população e leis que inibam a condução após o consumo dessa droga também sejam implementadas.

Droga e delírio. Outra notícia triste da semana passada mostra o impacto que o consumo eventual de drogas pode ter no comportamento. Segundo as informações disponíveis até quinta-feira, a morte de um jovem empresário catarinense de 35 anos na região de Cancún, no México, pode ter relação direta com o uso de álcool e outras substâncias alteradoras da percepção.

Ele teria caído acidentalmente de um prédio, após um suposto quadro delirante, em que acreditava estar sendo perseguido. O irmão do empresário, que disse também ter consumido drogas, teria entrado em quadro paranoico, fugido e enviado mensagens para a família, avisando que estava sendo perseguido. Os dois estavam em um festival de música eletrônica, depois de terem ido ao país para o casamento de uma amiga, no início do mês. O resultado do exame toxicológico realizado pela polícia mexicana seria divulgado na sexta-feira. Segundo autoridades locais, as drogas mais consumidas na região são maconha, cocaína, crack e as sintéticas.

Embora quadros delirantes tão exuberantes não sejam a regra após o consumo de drogas, ainda mais quando eles são compartilhados por mais de uma pessoa (os dois irmãos no caso), essa é uma situação que pode eventualmente acontecer.

No último ano, por exemplo, a morte de outro jovem por afogamento na raia da USP, após uma festa no velódromo, mostrou o impacto de algumas das novas drogas sintéticas. Segundo o laudo do Instituto Médico-Legal (IML), o jovem teria consumido o 25B-NBOMe, um alucinógeno novo de efeito semelhante ao LSD.

A ampla disponibilidade das novas drogas sintéticas de efeitos ainda pouco conhecidos, bem como o impacto que drogas clássicas como maconha podem ter no comportamento das pessoas, principalmente entre as mais jovens, deveria ser foco de atenção e trabalho mais incisivo das autoridades em saúde e educação, como estratégia importante de redução de danos, à medida que as discussões sobre legalização ganham espaço na sociedade.

Jairo Bouer é psiquiatra

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