Droga entrava em Cumbica em carros de empresa de segurança

Operação da PF prendeu 32 envolvidos no esquema de tráfico, entre elas policiais civis e funcionários públicos

Agência Brasil,

10 Março 2009 | 16h45

As drogas traficadas para todo o Brasil e exterior a partir do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, chegavam ao terminal aéreo através de um carro da empresa de segurança envolvida no crime. Nesta terça-feira, 10, a Polícia Federal prendeu 32 pessoas envolvidas no esquema, durante o desdobramento da Operação Carga Pesada, desencadeada no Mato Grosso do Sul e no Estado paulista.  Veja também: TV Estadão - Circuito interno do aeroporto grava ação da quadrilhaPolícia Federal prende 32 por tráfico de drogas em CumbicaTrês homens vindos de SP são presos com drogas em Portugal Segundo o procurador da República Vicente Mandetta, as malas com droga iam diretamente para os contêineres das aeronaves sem passar por qualquer tipo de fiscalização. "Eram cerca de 50 quilos de cocaína em cada mala", afirma. Os traficantes, em geral nigerianos, eram responsáveis por aliciar funcionários da empresa terceirizada que presta serviços de segurança para o aeroporto.  Os cerca de 180 policiais cumpriam 35 mandatos de prisão, busca e apreensão nas cidades de Ponta Porã, Campo Grande, São Paulo e Guarulhos, este último considerado um dos principais pontos do esquema montado pelas quatro quadrilhas desbaratadas. Entre os presos, estão quatro policiais civis, que descobriram o esquema e passaram a extorquir traficantes, e dois servidores públicos: um funcionário da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e uma auditora da Receita Federal.  "O crime segue um esquema parecido com o lícito, cada um tem uma função", disse Mandetta. De acordo com ele, funcionários de várias companhias aéreas também foram presos por participar do esquema. Cada uma deles ganhava R$ 5 mil para levar a mala até o avião. Passageiros e a comissários de bordo não faziam ideia do que era transportado no porão do avião. Quando chegava ao seu destino - África do Sul e países da Europa, a droga passava por um esquema semelhante. "Algumas quadrilhas usavam portadores, os famosos mulas, enquanto outras roubavam etiquetas de outras malas", afirmou o procurador. Como as quadrilhas possuem desmembramentos internacionais, a PF não soube precisar como a droga é tratada em outros países. Porém, a PF estima que cada quilo de cocaína custe, em média, 40 mil euros no exterior. A operação Carga Pesada começou em 2007 quando a PF recebeu um pedido de cooperação da África do Sul, que apreendeu 55 quilos de cocaína vindos do Brasil. Ao longo da operação 58 pessoas foram presas (incluindo as prisões desta terça) e 540 quilos de cocaína foram apreendidos pela polícia. De acordo com o órgão, é possível que mais pessoas que trabalhem no aeroporto estejam envolvidas no esquema. Os acusados responderão por crimes como tráfico internacional de drogas e formação de quadrilha.

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