''Droga auditiva'' sai por R$ 20 no centro

CDs do I-Doser estão à mostra na Rua Santa Ifigênia; se houver incitação ao uso, vendedor poderá ser responsabilizado criminalmente

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

29 Março 2011 | 00h00

Músicas que prometem aos ouvintes efeitos semelhantes a drogas como maconha, cocaína e outras, mas que provavelmente não produzem nenhum resultado e podem enquadrar o vendedor em crime por induzir alguém ao uso de droga, são comercializadas na Santa Ifigênia, tradicional reduto de eletrônicos em São Paulo. As informações são da Rádio Estadão ESPN, novo veículo do Grupo Estado que iniciou transmissões no domingo.

CDs do produto conhecido como I-Doser estão sendo vendidos por R$ 20. Há camelôs que dizem ter 6 mil sons e montam os CDs. O MP3 antes era distribuído apenas na internet.

O site do I-Doser afirma que o produto tem a capacidade de imitar efeitos de quem usa maconha, cocaína, ecstasy e até mesmo de um orgasmo. Isso se daria por meio de uma mistura de sons capaz de sincronizar ondas cerebrais como as drogas.

Segundo a secretária da Justiça de São Paulo, Eloisa de Souza Arruda, pode ser responsabilizado criminalmente quem, referindo-se a esse produto, incitar o uso de drogas. "O que a gente percebe é que existe um verdadeiro ritual. Não é só ouvir o som. É ouvir o som e usar a droga", disse. A secretária afirmou que o fato será levado ao Conselho Estadual de Drogas e prevê possível intervenção da polícia.

Recreacionais. Em seu site, o I-Doser afirma que não pode recomendar o uso de drogas ilegais. No mesmo texto, contudo, diz que recebeu relatos informando que a associação das drogas "recreacionais" com as músicas aumentam os efeitos.

O delegado Reinaldo Corrêa, do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), afirma que recolheu depoimento de usuário, afirmando que teve visões e um sangramento nasal após usar o produto. Segundo ele, o produto é um placebo. "É água com açúcar", diz.

Segundo o médico Carlos Alberto Pastore, "a grande preocupação é a possibilidade de pessoas buscarem drogas reais para conseguir efeitos". Para ele, não há comprovação científica de que as músicas reproduzam efeitos das drogas. "Não estamos acreditando, a não ser que haja comprovação científica."

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