DP da Zona Sul é o que mais prende

Policial diz que o foco são as quadrilhas

Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2013 | 23h03

Primeiro lugar em número absoluto de prisões por mandado na capital de São Paulo nos quatro primeiros meses do ano, o 97.º Distrito Policial (Americanópolis) levou 65 pessoas à cadeia. "Você está vendo essa mesa aí, é tudo de interceptação telefônica", diz o delegado Rubens Barazal, em seu gabinete, apontando para uma pilha de investigações das últimas semanas.

"Não adianta eu pegar um. Ele vem, paga a fiança e vai embora. O que temos de focar são as quadrilhas, isso que propicia um grande número de prisões. Um ladrão é levado à delegacia, paga uma fiança de R$ 600 e vai para rua. Só que o seu prejuízo é de R$ 20 mil, R$ 30 mil", diz Barazal. Isso ocorre porque crimes contra o patrimônio com penas pequenas, como o furto, não geram mandados de prisão no inquérito. Segundo o delegado, se a investigação estabelece conexão com vários delitos de um grupo criminoso, as penas aumentam e a Justiça autoriza a prisão dos suspeitos.

Não basta, porém, convencer o juiz da necessidade de prisão. É preciso ter informações sobre o suspeito. "Depois do deferimento da prisão, não vou ficar com um papel na mão." Barazal usa técnicas que vão da observação em campo ao cruzamento de informações em banco de dados. Em fevereiro, ele conseguiu a condenação de 22 homens de uma quadrilha que roubava carros na zona sul. Um deles recebeu pena de 42 anos de prisão. "Até recebemos um elogiozinho do juiz na sentença."

No índice de prisões por mandado em crimes violentos feito pelo Estado, o 2.º Distrito Policial (Bom Retiro) ficou em primeiro lugar. Foi lá que a polícia encontrou em 24 horas o homem que estuprou uma psicóloga na Marginal do Tietê, em maio. "Tudo depende da criminalidade de cada distrito. Aqui, por ser uma região que tem comércio, como a Rua José Paulino, temos muitos crimes contra o patrimônio", diz o delegado titular Eduardo Castanheira.

Ele conta que preza por ter uma equipe de primeira. "Os funcionários que não se adequam à nossa maneira de trabalhar, a gente busca trocar e formar uma equipe que tenha intenção de trabalhar nos moldes que achamos melhor. Venho tendo sucesso com relação a isso."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.