EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO
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Down supera desafios e é vista com igualdade

Trabalho e faculdade são conquistas de quem tem a síndrome

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

21 de março de 2015 | 20h22

Frequentar a escola regular, ter aulas de dança ou teatro, ir a festas, circular pela cidade, entrar para a universidade e ocupar um espaço no mercado de trabalho são atividades presentes, atualmente, na agenda de pessoas com síndrome de Down, que, ano após ano, têm superado preconceitos.

Na última década, desde quando o Dia Internacional da Síndrome de Down começou a ser celebrado, o olhar da sociedade para a síndrome mudou. Crianças, jovens e adultos, antes escondidos em casa, ganharam os mais diversos ambientes. Os pais venceram medos e, agora, abrem caminhos para novas conquistas.

“A diferença é muito grande de 39 anos atrás, quando tive o meu filho. As mães não enfrentam tantos problemas. O Rodrigo está bem amadurecido, ele é maravilhoso, não é por ser meu filho. Ele superou todas as nossas expectativas”, elogia a psicóloga Nidia Leonardi Boaventura, de 67 anos.

Rodrigo Boaventura, de 39 anos, trabalha como assistente administrativo em uma empresa de qualidade de vida corporativa. “Gosto muito do meu trabalho, é maravilhoso para mim. Tenho muitos amigos e participo de um grupo que leva para passear no teatro, festa, balada e traz para casa.”

O estudante Benjamin Saidon, de 21 anos, cursa o terceiro ano de Gastronomia. A faculdade é apenas uma de suas atividades, que incluem a organização de jantares para os amigos, idas ao cinema e aula de trampolim acrobático. “Eu gosto de fazer risoto ao funghi. Cozinho para a minha família.” Ao ser perguntado sobre qual prato seus parentes mais gostam, responde rapidamente: “Tudo!”

Ana Claudia Brandão, pediatra responsável pelo Programa de Síndrome de Down do Hospital Albert Einstein, explica que a síndrome é uma alteração no cromossomo 21, que deveria ser duplo, como os demais, mas é triplo. “A síndrome de Down é uma condição genética que faz com que as pessoas tenham 47 cromossomos em vez de 46. É um conjunto de sinais e sintomas, não é uma doença.” Ana Claudia diz que não há causas, mas que existe uma relação com a idade dos pais. “A partir dos 35 anos, há mais chances.”

Psicopedagoga do Espaço Mosaico, que atende pessoas com deficiência, Fabiana Maia destaca a importância da família no processo de inserção às atividades da sociedade. “São as famílias que lutam por esse movimento de inclusão. Desde 1970 que a gente tem essa luta. Agora, eles estão chegando à universidade e ocupam o mercado de trabalho.”

Caminhada. Com o objetivo de reunir pessoas com a síndrome e apoiadores da causa, a professora Rosana Bignami, de 52 anos, organizou um evento chamado CaminhaDown, que será realizado neste domingo, a partir das 10 horas, no Parque do Ibirapuera.

“A caminhada veio da vontade de trazer o pessoal para a rua, para passear. Ela foi inspirada nas outras caminhadas que têm pelo mundo.” Rosana é mãe de Giovanna, de 9 anos, uma menina que estuda, faz aulas de dança e tem a rotina de uma criança como qualquer outra. “Ela é uma criança alegre. Um pouco teimosa. Mas tem regras, rotina e também leva bronca.”

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