Dos 16.886 km de fronteiras, só 50% estão protegidos

O mapa digital usado pelo presidente Lula revela em vermelho o tamanho do problema: os 16.886 quilômetros de fronteira do País são protegidos só pela metade ? 50% do total está apenas sob vigilância; sobram vazios, falta a presença do Estado. O descontrole permite, por exemplo, a entrada irregular, a cada ano, de 3 mil armas de calibres militares, segundo pesquisa do Ministério da Justiça.

Cenário: Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2010 | 00h00

A criação da agência de integração dos Comandos Militares, Polícia Federal e dos serviços de inteligência ficou durante os últimos sete anos só na primeira versão do programa de prioridades apresentado em 2003. Virou realidade agora, com a chegada da Estratégia Nacional de Defesa (END), do ministro Nelson Jobim, e a extensão do poder de polícia a Marinha, Exército e Aeronáutica, que podem, além de reprimir, prender.

A END prevê o fechamento da linha de limites por meio de sensores, defesa aérea, domínio dos rios, ocupação terrestre e, claro, forte atividade no mar. O foco é a Amazônia. Entre este ano e 2018, serão construídos 28 Pelotões Especiais de Fronteira (PEF) em áreas indígenas, zonas de preservação e pontos de tensão. O custo desse empreendimento é estimado em R$ 1 bilhão. Outros 20 PEFs já instalados e em operação serão expandidos e reformados. A reforma vai sair por R$ 140 milhões.

O contingente atual na região é de 27 mil combatentes. É pouco. Significa um militar a cada 1,6 mil quilômetros. Várias novas brigadas ? cada uma com 3 mil homens ? serão criadas ou transferidas do Sul e do Sudeste. É um movimento complexo e caro. A instalação de uma unidade desse porte, na selva, pode custar até R$ 150 milhões. Além de prédios, é preciso levar toda a infraestrutura ? estradas, comunicações, hospital, pistas, casas. Marinha e Aeronáutica têm os seus planos. A Força Naval tem dois Distritos e 11 capitânias. A aviação militar transferiu o grupo de helicópteros de combate do Recife para Rondônia. O esquadrão é equipado com 12 aeronaves Sabre, os Mi-35 russos, pesadamente armadas. A partir de 2011 fará um remanejamento dos caças supersônicos F-5EM. Ao menos oito jatos serão acionados a partir de Manaus.

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