Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Doria vai terceirizar apreensão na Cracolândia e criar comitê para internação

Contenção e remoção dos usuários de drogas da região serão feitas por agentes especializados no serviço, segundo secretário da Saúde

Daniel Weterman e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2017 | 18h17
Atualizado 27 Maio 2017 | 20h19

SÃO PAULO - O secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara, afirmou neste sábado, 27, que a gestão do prefeito João Doria (PSDB) vai terceirizar a abordagem compulsória a dependentes químicos na região da Cracolândia. Além disso, a Prefeitura vai criar um comitê de psiquiatras para estabelecer um protocolo que irá definir os critérios da internação compulsória. 

Nesta sexta, a Justiça autorizou a administração a retirar usuários de drogas à força da Cracolândia para submetê-los à avaliação médica pelas equipes da Prefeitura. A decisão judicial diz ainda que a internação compulsória dos viciados, no entanto, continuará dependendo de aval do Judiciário para cada paciente, conforme prevê a legislação federal.

Ao participar de um seminário organizado pela Prefeitura na capital paulista, Pollara disse que para cada caso haverá pelo menos dois profissionais da Prefeitura de cada área: Saúde, Assistência Social e Guarda Civil Metropolitana. A contenção e condução desses pacientes, porém, serão realizadas por agentes terceirizados. "Não vão ser feitos a remoção nem o contato desses pacientes, por mais grave que estejam, através destas pessoas (da Prefeitura)", disse o secretário. "Vamos utilizar ambulâncias de remoção especializadas em atender pacientes de saúde mental que serão contratadas especialmente para esse serviço."

O secretário disse que vai ser criado um protocolo para definir os critérios de internação estabelecidos por um comitê de psiquiatras "de alto nível". Pollara disse que administração não vai, por enquanto, revelar o nome dos profissionais chamados para o comitê, mas que os médicos são gabaritados para estabelecer os critérios que definirão se o dependente está ou não em uma crise a tal ponto de ser internado. 

Pollara não deu um prazo para início das internações compulsórias. Ele disse que o trabalho vai começar assim que a Prefeitura tiver o protocolo do comitê de psiquiatras concluído.

Prefeitura montará tenda ao lado da Princesa Isabel

A Prefeitura começou a montar ao lado da Praça Princesa Isabel, local onde se concentra a principal aglomeração de usuários de drogas da antiga Cracolândia, um espaço que servirá de abrigo para dependentes. O local terá capacidade para receber 100 pessoas e deverá iniciar as atividades na próxima semana.

Uma equipe com psiquiatras ficará no espaço para fazer avaliação médica e definir a necessidade de internação. O Estado apurou que, na prática, a estrutura da tenda servirá como forma de atrair usuários para submetê-los a avaliação médica. Neste sábado, 27, a Prefeitura realizou ação de limpeza na Praça Princesa Isabel, que continuava tomada por cerca de 600 usuários de drogas.

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