Jonne Roriz/AE
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Doria vai pagar até R$ 11 mi para vender Anhembi na Bolsa

Prefeitura decidiu contratar agente financeiro para cuidar de toda operação de privatização conjunta da SPTuris e do Complexo do Anhembi na Bolsa de Valores de São Paulo

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2017 | 03h00

SÃO PAULO - A gestão do prefeito João Doria (PSDB) vai pagar até R$ 11 milhões para contratar um agente financeiro que cuidará de todo o processo de privatização do Complexo do Anhembi, que inclui, entre outros equipamentos, o sambódromo e o pavilhão de exposições. O negócio será feito por meio da venda da São Paulo Turismo (SPTuris), empresa de eventos da Prefeitura que é dona do complexo localizado na zona norte da capital, em leilão na Bolsa de Valores.

Responsável por tocar o programa de privatizações e concessões anunciado por Doria, a Secretaria Municipal de Desestatização e Parcerias publicou no último sábado, 1.º, o edital de licitação para contratar uma empresa que ficará encarregada de fazer a avaliação econômico-financeira de toda estrutura que será privatizada, definir o preço mínimo, e executar a venda da SPTuris e seus ativos. A contratação será feita por pregão eletrônico com base no menor preço. O teto do custo do serviço é de R$ 11 milhões.

O valor de referência é uma média das cotações feitas pela secretaria com potenciais interessados, mas a expectativa da pasta é gastar com a assessoria financeira da privatização do Anhembi um valor bem abaixo do teto estipulado no edital.

A gestão Doria afirma que não vai assinar o contrato com o agente que cuidará da operação antes de os vereadores de São Paulo aprovarem a privatização na Câmara Municipal. O projeto de lei de venda da SPTuris e do Anhembi deve ser enviado ao Legislativo ainda este mês. A expectativa da Prefeitura é de que o projeto seja aprovado na volta do recesso parlamentar, em agosto, e que o leilão possa ser feito até o fim deste ano.

A decisão de vender o Anhembi junto com a SPTuris foi tomada por Doria para faciliar a negociação na Bolsa. A Prefeitura colocará à venda sua participação acionária na companhia, que é de 97%. Além disso, com as privatizações do Anhembi e do Autódromo de Interlagos, também administrado pela SPTuris, a estatal municipal ficaria sem função. Hoje, a empresa tem cerca de 400 funcionários e receita anual de quase R$ 250 milhões. 

Sambódromo. Por pressão de vereadores e da Liga das Escolas de Samba, a gestão Doria estuda já incluir no projeto de lei de privatização do Anhembi uma cláusula que obriga futuro comprador a ceder gratuitamente o sambódromo para a realização dos ensaios e desfiles do carnaval paulistano.

Com essa medida, a Prefeitura espera que a obstrução ao projeto dentro do Legislativo seja menor do que a que tem sido feita, por exemplo, nos projetos de concessão do Estádio do Pacaembu, aprovado em primeira votação na madrugada da última quinta-feira, 29, e no pacote de concessões de parques, mercados, terminais de ônibus e Bilhete Único, ainda travado por aliados do prefeito na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A previsão é de que ele seja votado na próxima segunda-feira, 3.

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