Tiago Queiroz | ESTADÃO CONTEÚDO
Tiago Queiroz | ESTADÃO CONTEÚDO

Doria vai despachar todo os meses na Câmara

Prefeito quer manter relação próxima com Legislativo; base pode ter 42 vereadores

Adriana Ferraz, Bruno Ribeiro, Fabio Leite, Circe Bonatelli e Daniel Weterman, O Estado de S. Paulo

01 Janeiro 2017 | 23h48

Ao tomar posse na Câmara Municipal neste domingo (1.º), o prefeito João Doria (PSDB) reafirmou o compromisso de “despachar” com os vereadores uma vez por mês. Desde que foi eleito, o tucano tem sinalizado que pretende mudar a atual relação entre Executivo e Legislativo na capital.

Ao longo de todo o seu mandato, o prefeito Fernando Haddad (PT) foi criticado até mesmo por vereadores da base por manter-se distante da Câmara. Em quatro anos, o petista visitou a Casa poucas vezes – como na primeira sessão plenária de 2013, na entrega do Plano de Metas e do projeto que revisou o Plano Diretor.

Doria promete ser diferente. A começar pelas visitas à Casa: a meta agora é comparecer ao Palácio Anchieta a cada 30 dias, para reuniões de trabalho, além de estar sempre aberto a conversar pessoalmente ou por telefone com todos os parlamentares. A aproximação, que não inclui, segundo ele, o “toma lá, dá cá”, é estratégica. O tucano quer ver aprovados os projetos que liberam privatizações e concessões já no primeiro ano de seu governo.

A presença constante na Câmara faz parte dos “dez mandamentos” de Doria anunciados neste domingo. Além do respeito ao Legislativo, ele afirmou, por exemplo, que pretende manter relação respeitosa com o Judiciário e com a população, que vai trabalhar com transparência e ética, que vai buscar a inovação e o diálogo. Também promete trabalhar desde o raiar do Sol.

O novo prefeito também adotou tom de conciliação, e disse que sustentará o diálogo e a capacidade de estar aberto a todas correntes e manifestações. "Farei gestão à frente da cidade. No Executivo, serei um administrador da cidade. Reafirmo que sou um gestor, respeitando todos os políticos", disse.

“Não importa se são da oposição ou contrárias às nossas convicções”, ponderou o tucano. Em meio às saudações no início da sua fala, Doria se dirigiu ao vereador Eduardo Suplicy (PT), dizendo ser uma das poucas boas figuras da política brasileira e um bom amigo.

Base. Cotado para assumir a liderança do governo na Câmara, o vereador tucano Aurélio Nomura afirmou que a base aliada espera ter 42 vereadores – de um total de 55 – no quadro de apoio. A coligação do novo prefeito elegeu 25 vereadores.

“Quem sabe cheguemos a 42 vereadores (na base), muito mais que a coligação eleita. Até o fim deste mês, devemos ultrapassar 40 vereadores como base do governo”, disse Nomura.

“Temos tranquilidade, mas acima de tudo o prefeito não tem aspiração de passar um rolo compressor. Tem ideia de buscar um diálogo não só com a Câmara, mas com toda a sociedade”, completou. A base aliada será importante para Doria levar à frente projetos de privatização do Anhembi e do Autódromo, duas promessas eleitorais.

Cinco suplentes assumiram no lugar de vereadores eleitos que vão para secretarias municipais. Os suplentes são Abou Anni (PV), Caio Miranda Carneiro (PSB), Dalton Silvano (DEM), Quito Formiga (PSDB) e Rodrigo Gomes (PHS). Já os vereadores que assumem pastas são Soninha Francine (PPS), Patrícia Bezerra (PSDB), Eliseu Gabriel (PSB), Daniel Annenberg (PSDB) e Gilberto Natalini (PV).


 

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