Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Doria toma posse, diz que não disputará reeleição e deixa privatizações para 2018

Secretário de Desestatização afirma que venda do Anhembi e de Interlagos e a concessão de parques da cidade devem ficar para o ano que vem

Adriana Ferraz e Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2017 | 23h12

Com um discurso em que prometeu “governar para todos”, o prefeito João Doria (PSDB) tomou posse na tarde deste domingo, em cerimônia para 1,5 mil pessoas no Teatro Municipal, no centro da capital, e afirmou que terá a “humildade” de “recuar para depois avançar” sempre que avaliar ser necessário. O prefeito se comprometeu, no discurso, a não disputar a reeleição em 2020. “Não disputarei a reeleição. Em qualquer circunstância, qualquer.”

Após a cerimônia, enquanto Doria era cumprimentado pela posse, seu secretário de Desestatização, Wilson Poit, afirmou que algumas das principais promessas de campanha do prefeito – a venda do complexo do Anhembi, do Autódromo de Interlagos e a concessão dos parques da cidade – só devem sair do papel no ano que vem.

Doria e Fernando Haddad (PT) trocaram gentilezas ao longo das quase duas horas de cerimônia, em que assinaram termo de transmissão de cargo de prefeito, após o tucano tomar posse em evento na Câmara Municipal. 

Os primeiros dez minutos do discurso do prefeito foram usados para agradecimentos. “Governaremos para todos. Todos os que vivem nessa cidade, brasileiros e não brasileiros vão receber nosso respeito e o respeito de uma gestão conciliadora, que saberá ouvir e que terá humildade de, sempre que for comprovadamente necessário, recuar para poder avançar. Isso é prova de grandeza”, disse o prefeito. 

“A democracia que todos nós temos de aplaudir é a democracia que não tem uma cor. É a democracia que não tem um partido – embora todos nós valorizemos nossos partidos. O PSDB, nosso partido, o Partido dos Trabalhadores, do prefeito Fernando Haddad, assim como todos os demais partidos. Ao administrar a cidade de São Paulo, iremos administrar para todos. Essa será nossa índole”, disse. “Obrigado Fernando (Haddad) e estaremos em breve novamente aqui, juntos, lutando por uma só bandeira, a bandeira de São Paulo”, afirmou Doria, durante seu discurso. 

Doria citou seu pai, deputado federal cassado em 1964, e também sua fé religiosa durante o discurso. “A grandeza da fé não é a riqueza material. Não é ter, não é ser. A oração ajuda a ter compreensão de que ser é mais importante do que ter”, afirmou o prefeito, ao dizer que buscaria tolerância e compreensão durante sua gestão. “A prioridade dessa gestão será aos mais humildes e mais pobres dessa cidade. Não esqueçam os que estão trabalhando. A partir de hoje, essa é nossa prioridade”, afirmou.

A fala antecipou a reafirmação de que a manhã desta segunda-feira, primeiro dia útil de seu governo, teria como primeiro evento um mutirão de limpeza no eixo da Avenida 9 de Julho, que liga o centro à região dos Jardins, onde vive o prefeito. “Às 6 horas da manhã, todos os secretários, secretárias, presidentes de empresas do município, estarão na rua, vestindo uma roupa de gari e vassoura na mão, para mostrar simplicidade, na humildade e na igualdade, como será a administração que essa gestão fará na Prefeitura de São Paulo.” Na sequência, emendou: “E não há crítica que se faça que vá mover nossa gestão de dar o exemplo”, disse o prefeito.

Privatizações. Doria foi eleito com a promessa de trazer mais eficiência para a gestão pública. Para tanto, a sua proposta é fazer privatizações, como a do Anhembi e a do Autódromo de Interlagos, e a concessão do Estádio do Pacaembu. Enquanto conversava com colegas secretários, o titular da recém-criada Secretaria Municipal de Desestatização, Wilson Poit, afirmou ao Estado que, neste ano, a meta da gestão será fazer a modelagem ideal desses negócios – deixando as privatizações para o ano que vem. 

“Nós vamos trabalhar, nesse primeiro ano, na modelagem. Modelagem dos editais, discussão com a Câmara dos Vereadores, discussão com Tribunal de Contas (do Município), com o Ministério Público, com a população, com investidores. Porque a palavra-chave para uma privatização, para uma PPP (Parceria Público-Privada) é equilíbrio”, disse o secretário Poit. “Equilíbrio para o investidor privado, para o governo e principalmente para a população, que vai usar essas concessões, esses equipamentos, da melhor maneira possível.”

“As principais metas para começarmos 2017 são o Anhembi e Interlagos, na questão de privatização, e a concessão dos parques municipais. São 107 parques, alguns são estrelas, como o Ibirapuera, outros nem tanto”, afirmou Poit.

Trecho do discurso de Doria. "Vamos fazer um novo ciclo na cidade. Na cidade que é um País. A cidade que espelha o Brasil. Por isso, a secretários que aqui estão, aos colaboradores que agora passam a contribuir para essa cidade, e aos 135 mil servidores públicos de São Paulo: nós temos uma missão que é maior do que administrar nossa cidade. É contribuir para mostrar que é possível fazer tanto quanto se faz no governo do Estado de São Paulo. E esse novo ciclo se faz com valores de gestão importantes, que aprendi lá atrás, com André Franco Montoro, responsável pela entrada minha e de meu pai na política, quando estabelecemos como princípio a descentralização, a participação, a modernização, a eficiência e a transparência dos nossos atos. E estabelecer com clareza nossas prioridades para a cidade: prioridade com o foco na saúde, na educação, mobilidade urbana, na habitação e na segurança pública, sem desmerecer nenhuma outra área de ação.”

 

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