Nilton Fukuda/Estadão - 8/5/2019
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Doria sugere adiar Dia das Mães para agosto; representantes do setor são contra ideia

Federações e associações querem que data festiva permaneça no segundo domingo de maio

Márcia De Chiara e Paloma Cotes, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 11h40
Atualizado 24 de abril de 2020 | 14h21

SÃO PAULO - A proposta do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de adiar a comemoração do Dia das Mães de maio para agosto, por conta do novo coronavírus, não foi bem-recebida pelas principais entidades do varejo.

A Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) e a Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop) defendem a manutenção da data em maio. A maioria das entidades, Facesp, ACSP e Alshop, quer a flexibilização da abertura do comércio antes do Dia das Mães. Já A Fecomércio-SP acata a decisão do governo  de flexibilizar só após o dia 10 de maio. A sugestão do governador de adiar o Dia das Mães foi feita nesta quinta-feira, 23, durante reunião virtual do Comitê Empresarial Econômico, que reuniu 328 empresários.

De acordo com o último cronograma do governo de São Paulo, há um plano para abrir alguns setores da economia em algumas regiões do Estado a partir do dia 11 de maio. O plano prevê que a abertura vai depender de três critérios: taxa de crescimento do número de pessoas infectadas, capacidade do sistema de saúde de oferecer leitos de internação e número de pessoas testadas para a doença. O Dia das Mães normalmente é comemorado no segundo domingo de maio, que neste ano será no dia 10.  Com isso, o varejo perde a segunda melhor data de vendas, que só é superada pelo Natal. 

Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes nesta sexta-feira, 24, Doria afirmou que essa não é uma decisão que cabe ao Estado e que fez apenas uma sugestão ao setor privado. 

"Entendo que essa é a segunda data de volume para o varejo brasileiro. E a nossa sugestão foi para que o próprio varejo, através das suas associações e federações, pudesse avaliar a transferência, neste ano especificamente, para que a data seja celebrada no último domingo do mês de agosto. Com isso, o setor poderia se preparar melhor e as pessoas conseguiriam celebrar melhor", disse Doria. "Essa sempre foi, na minha opinião, uma data festiva. Mas não vejo condições de termos celebrações, beijos e abraços, diante de uma crise de saúde desta dimensão. Me parece então sensato, mas essa não é uma decisão de govenrno, é do setor privado, que a data possa ser postergada depois de vencida a pandemia", afirmou.

“Essa proposta não faz sentido”, diz o presidente da ACSP, Alfredo Cotait. Ele lembra que, com a transferência da data, o comércio acumularia duas datas numa só: o Dia das Mães e o Dia dos Pais, comemorado no segundo domingo de agosto.

Ele insiste na flexibilização gradual do comércio em cidades menores, onde o vírus ainda não chegou. O presidente da ACSP diz que apoiaria a iniciativa se houvesse um consenso junto a entidades nacionais do setor. Cotait também critica o fato de a sugestão ter sido feita pelo governador sem ouvir primeiro as entidades que representam o varejo.

“É uma maluquice, estamos quase quebrados e não sei se em agosto teremos condição de comemorar o Dia das Mães". Desde o início do isolamento, as vendas no varejo paulista caíram 65% em relação ao mesmo período do ano passado.

Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomércio-SP, questiona a eficácia de transferir a data para agosto. “Isso não vai gerar qualquer resultado positivo”, diz o economista. Segundo ele, em agosto, as empresas vão estar mais descapitalizadas e os consumidores com a renda mais apertada e com medo de ir às compras por causa do desemprego. “Ao invés de transferir a data, é preciso dar apoio financeiro para as empresas e para as famílias".

A avaliação do economista da Fecomércio-SP é de que as pequenas e microempresas responsáveis pela grande parcela de itens de vestuário,  produtos mais vendidos no Dia das Mães, serão as mais prejudicadas. Ele não acredita que o comércio eletrônico, que representava menos de 5% das vendas do varejo e mesmo com o crescimento exponencial recente, possa compensar a perda de faturamento com as lojas físicas fechadas.

Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, reforça a tese de que os lojistas precisam voltar a abrir as lojas, apesar de o governador ter sinalizado que a flexibilização acontecerá a partir de 11 de maio. ”Não adianta jogar essa data para agosto. Hoje já temos mais de 40 shoppings em funcionamento e até o dia 30 vão ser mais de 100 shoppings no País. Se São Paulo perder essa data será difícil de recuperar porque a venda terá sido captada pelos shoppings que estarão abertos". O presidente da Alshop insiste na reabertura dos shoppings a partir do dia 30 no Estado de São Paulo e diz que pretende continuar conversando e negociando para isso.

Estado com o maior número de mortes e casos confirmados do novo coronavírus no País, São Paulo já registra 1.345 mortes pela covid-19. O Estado tem 16.740 casos confirmados da doença. De acordo com o governo de São Paulo, 114 cidades paulistas registram mortes pela covid-19 e há registro da doença em 256 municípios do Estado.

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