Hélvio Romero/ESTADÃO
Hélvio Romero/ESTADÃO

Doria quer repassar gestão do bilhete único para bancos

Instituições financeiras teriam de administrar os 15 milhões cartões ativos da cidade e, em troca, agregar serviços, como liberar outros pagamentos

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2017 | 12h17
Atualizado 08 Fevereiro 2017 | 22h49

SÃO PAULO - A gestão do prefeito João Doria (PSDB) quer repassar a gestão dos cartões do bilhete único para bancos e instituições financeiras. Em troca de administrar os cerca de 15 milhões de bilhetes ativos, essas empresas poderiam incluir outros serviços nos cartões, permitindo que fossem utilizados para pagamentos em geral, como cartões de crédito.

A proposta de Doria foi antecipada pelo jornal Folha de S.Paulo. Em entrevista à Rádio Estadão na manhã desta quarta-feira, 8, o secretário municipal de Desestatização, Wilson Poit, afirmou que “lojas de departamento, grandes marcas, já negociam seus cartões atrelados às bandeiras de cartões de crédito”.

Poit argumentou que a gestão dos bilhetes tem um custo estimado em R$ 500 milhões por ano. As empresas teriam de arcar com esse valor. Entretanto, como os pagamentos das passagens às empresas de ônibus só ocorre alguns dias depois de os bilhetes serem usados, essas empresas poderiam usar o recurso em caixa para negociações bancárias, com lucro.

A concessão dos bilhetes faz parte, segundo Poit, do Plano Municipal de Desestatização, que está sendo desenhado pela gestão Doria. O secretário, que também trabalhou na gestão Fernando Haddad (PT), citou outros projetos incluídos no plano, como a concessão dos 29 terminais de ônibus da cidade, de cemitérios e dos mercados municipais.

“Nos próximos dias, o prefeito e eu devemos ir ao Tribunal de Contas do Município apresentar o projeto”, disse Poit. Depois, o projeto será enviado para análise da Câmara Municipal, que deve aprovar a proposta por meio de uma lei. No caso do bilhete único, estima Poit, a concessão “deve ir a mercado ainda neste ano”. 

Desestatização. O pacote de desestatizações sendo traçado na Prefeitura tem dois eixos: privatizações e concessões. Poit afirma que os primeiros dez projetos foram definidos usando como critérios os que teriam maior impacto financeiro na geração de receitas para a cidade, os que poderiam ser tocados a tempo de terminarem ainda nesta gestão e ainda os que terão maior impacto na melhoria dos serviços para a população. 

Assim, as prioridades são as privatizações do Anhembi e do Autódromo de Interlagos e as concessões de parques, cemitérios, de 29 terminais de ônibus, dos mercados municipais, do Estádio do Pacaembu e de imóveis da Prefeitura que deverão ser transformados em locais de moradia social. 

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