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Doria quer modelo de Abu Dhabi para privatização de Interlagos

Autódromo privado dos Emirados Árabes funciona o ano todo e tem complexo de luxo; chefão da F-1, Ecclestone, será convidado para privatização

Adriana Ferraz e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2016 | 14h37

SÃO PAULO - O prefeito eleito João Doria (PSDB) afirmou nesta quarta-feira, 16, que pretende usar o modelo de gestão do autódromo de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, no processo de privatização de Interlagos, na zona sul de São Paulo. Segundo o tucano, o projeto em desenvolvimento pela sua equipe prevê a construção de prédios de luxo, hotel e um museu do automobilismo, que poderá ser batizado de Ayrton Senna.

“Abu Dhabi tem hoje um dos mais modernos autódromos do mundo, funciona 365 dias por ano, e tem um centro de entretenimento, que é o Ferrari World”, disse Doria. De acordo com o tucano, as mesmas condições serão replicadas aqui. “O nosso conceito é que ali possamos ter o museu do automobilismo, quem sabe até com o nome do Ayrton Senna, a preservação do autódromo, do kartódromo, do parque, com acesso gratuito à população, e a valorização com o empreendimento imobiliário debruçado no maior e melhor autódromo do País, que é Interlagos, ainda mais sendo administrado pelo setor privado.” Na lista de eventos que podem ocupar a agenda de Interlagos durante todo o ano estão ainda shows de música e eventos temáticos, como a Marcha para Jesus. 



"O modelo de Interlagos será o mesmo de Abu Dhabi, que hoje tem um dos autódromos mais modernos do mundo, abriga algumas das competições mais importantes e tem utilização regular diária", citou.

O conceito, afirmou Doria, é construir no local o Museu do Automobilismo, que levará o nome do piloto tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna. Segundo ele, estão previstas ainda a preservação do autódromo, do cartódromo, do parque com acesso gratuito à população e a valorização com empreendimento imobiliário "debruçado no maior e melhor autódromo do País".

O prefeito eleito afirmou que apresentará a proposta aos organizadores da Fórmula 1 no Brasil em uma reunião marcada para a semana que vem. De acordo com Doria, o chefe da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, será convidado a participar do negócio. “A empresa do Bernie pode participar se quiser, sozinha ou por meio de um consórcio.” 

O GP do Brasil não está confirmado no calendário oficial da competição em 2017, apesar de a cidade ter contrato válido com a organização da F-1 até 2020. Há obras pendentes no local, como a cobertura das arquibancadas. Doria afirmou que pretende conversar com o ministro do Turismo, o deputado federal Marx Beltrão (PMDB), para saber se há recursos que proporcionem sua conclusão. No mês passado, o prefeito Fernando Haddad (PT) entregou uma série de melhorias, feitas com R$ 160 milhões de recursos federais, incluindo o novo prédio de apoio operacional.

As privatizações de Interlagos e do Anhembi serão as primeiras a serem desenvolvidas pelo futuro governo. Segundo Doria, ambas podem render à cidade cerca de R$ 7 bilhões, que serão investidos prioritariamente em Saúde e Educação.

Transição. Doria e o prefeito Haddad fizeram nesta quarta mais uma reunião de transição. Segundo o tucano, além de Interlagos, os dois conversaram sobre temas considerados prioritários nesta fase de troca de governo, como ações de combate a enchentes, manutenção de recursos para creches e combate à dengue e ainda sobre compra de material e uniforme escolar.

Circuito mais caro do mundo serve de modelo para privatização de Interlagos

O circuito mais caro da Fórmula 1 serve de modelo para o prefeito eleito de São Paulo, João Doria, em sua intenção de privatizar o autódromo de Interlagos. O Yas Marina fica em Abu Dabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, e começou a ser construído em maio de 2007 para ficar pronto e estrear na Fórmula 1 em 2009 depois de consumir US$ 1,32 bilhão na época (o equivalente a R$ 4,51 bilhões na cotação atual).

Com capacidade para 41 mil espectadores, o Yas Marina não é apenas uma pista de automobilismo, mas um complexo esportivo e turístico de Abu Dabi, que atrai muita gente não só no período de corrida, mas em boa parte do ano. E é nisso que Doria se apoia, claro que nas devidas proporções.

O local possui sete hotéis luxuosos que foram projetados por arquitetos mundialmente famosos, apartamentos de alto padrão, restaurantes, espaço para eventos e shopping, entre outras coisas. Conta também com campo de golfe, um famoso parque aquático no meio do deserto e o famoso Ferrari World, um parque temático da scuderia italiana que recebe muitas visitas.

Entre os serviços oferecidos no circuito, é possível alugar e dirigir um Porsche ou um Aston Martin GT4 e chegar a 200 km/h na pista de corrida, ou mesmo dar voltas no autódromo com pilotos profissionais no volante. Como só recebe a competição de Fórmula 1 uma vez por ano, nas outras datas procura receber eventos de outras modalidades do automobilismo e motociclismo.

O investimento pesado na construção da pista também rende elogios até hoje. O autódromo é considerado um dos mais seguros do mundo, por conta da enorme quantidade de asfalto em ótima condição na pista - as áreas de escape são todas asfaltadas, apenas pintadas em cores diferentes para ajudar na sinalização.

Outro pontos alto é a iluminação da pista, tão boa que permite com que o local receba corridas noturnas do Circuito Mundial. Na parte de estrutura, as áreas vips, camarotes e paddok são luxuosas e espaços. Sem contar a ótima proximidade da pista que o público fica e a paisagem com a famosa marina em destaque. /COLABOROU PAULO FAVERO

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