Divulgação / Governo do Estado de SP
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Doria promete Rio Pinheiros com 'maior cinema ao ar livre da América Latina'

Projeto também prevê transformar a cobertura da Usina São Paulo e áreas às margens do rio em complexo de lazer com cafés, bares e restaurantes

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 13h51
Atualizado 12 de novembro de 2020 | 22h38

O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta quinta-feira, 11, o contrato de concessão à iniciativa privada da Usina São Paulo, antes chamada de Usina da Traição, no Rio Pinheiros. Com edital lançado no ano passado, o projeto prevê transformar a cobertura do edifício e áreas às margens do rio em um complexo de lazer com cafés, bares restaurantes e até o "maior cinema ao ar livre da América Latina".

Segundo o vencedor da concorrência, o acesso será livre, sem cobrança de ingresso, e os empreendedores esperam lucrar com consumo dos frequentadores. No Palácio dos Bandeirantes para o anúncio, o presidente do Consórcio Usina São Paulo, Rodrigo Bonadia, afirmou que a ideia de incluir o cinema no projeto teria sido do próprio governador.

“Não sei se o Doria vai ficar bravo comigo ou não, mas o telão gratuito foi uma ideia do João Doria. Ele, João Doria, que bolou aquilo para a gente. Qualquer cidadão vai poder entrar no aplicativo da Usina, reservar o cinema, o mesmo filme que está passando no Cidade Jardim ou no JK, mas sem custo”, disse Bonadia. Ao ouvir a declaração, o governador não comentou a suposta sugestão que teria dado ao concorrente da disputa pública.

No anúncio, Doria afirmou que o contrato foi assinado no dia anterior. “Vai transformar um espaço degradado em uma das mais modernas áreas de lazer, esporte, cultura e gastronomia da cidade de São Paulo em pleno Rio Pinheiros", disse. "Nesse espaço será construída uma instalação moderna e impactante, com cafés, bares, restaurantes, academia, museu e o maior cinema ao ar livre da América Latina."  

Segundo o governador, o contrato estabelece outorga de R$ 280 milhões, além de investimento de ao menos R$ 300 milhões pelo consórcio.

A concessão da Usina São Paulo faz parte do projeto de despoluir o Rio Pinheiros até dezembro de 2022, uma das principais promessas do governo Doria. De acordo com o Estado, o investimento na iniciativa é de cerca de R$ 4 bilhões, incluindo contratos para saneamento básico e ações como desassoreamento e limpeza das margens.

O Pinheiros se encontra poluído há décadas, sobretudo, por lixo doméstico e esgoto não tratado. "Com esses investimentos e as obras em curso, o Rio Pinheiros será entregue limpo e despoluído", disse Doria. "Neste mesmo período, estaremos inaugurando a Usina São Paulo de acordo com as características do projeto."

Vídeo apresentado durante o anúncio mostra que a cobertura do edifício viraria um terraço de quase 2 mil m² com mirante, café e restaurantes. A área prevista na concessão soma cerca de 30,8 mil m². A maior parte pertence à Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), responsável por operar a usina.

O complexo pretendido por Doria também prevê a construção de deck com lojas, anfiteatro, prédios comerciais, estacionamento e novas rampas de acesso. São três os espaços para exploração da iniciativa privada -- a área da usina e um terreno em cada margem.

Segundo o presidente do consórcio, a área do mirante deve ser entregue em 2022. Já o deck ficaria pronto no ano seguinte. Pelo planejamento, o prédio empresarial, previsto na margem oposto, é que deve demorar mais e será concluído em quatro anos. “Isso tudo, obviamente, não depende só do consórcio, mas de autorização de outros órgãos”, disse Bonadia.

"A Usina São Paulo é o primeiro marco da requalificação e da reconstrução desse rio para cidade de São Paulo e o nosso Estado", afirmou o secretário Marcos Penido, de Infraestrutura e Meio Ambiente. "Com trabalho de saneamento e base, podemos buscar também a melhoria da qualidade de vida."

Inaugurada em 1940, a Usina São Paulo tem quatro unidades de bombeamento que são usadas para reverter o curso do Pinheiros. O edital previa que as bombas poderiam ser acionadas "a qualquer momento, sem prévia comunicação aos visitantes e usuários".

"Tal acionamento, dado em dias de grande volume de chuva, provoca relevante trepidação em toda edificação e, portanto, deverá ser considerado no projeto", diz o edital.

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