AP Photo/Andre Penner
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Doria espera arrecadar até R$ 2,5 bilhões com privatização do complexo de Interlagos

Prefeito participou nesta quarta da entrega de obras de adequação do Autódromo para a etapa de Fórmula 1 deste ano

Felipe Resk e Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 00h27

SÃO PAULO - O prefeito João Doria (PSDB) espera arrecadar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões com a privatização do complexo de Interlagos, na zona sul de São Paulo. A expectativa da administração municipal é que o leilão do Autódromo, a ser realizado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa),  aconteça até abril de 2018. “Este será, provavelmente, o último Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 com o autódromo sob controle da Prefeitura”, disse.

Nesta quarta-feira, 25, Doria participou da entrega de obras de adequação do Autódromo para a etapa de Fórmula 1 deste ano. Financiada pelo governo federal, a reforma do paddock (área coberta, onde ficam os camarotes) custou R$ 14 milhões, enquanto os ajustes na pista, feitos pela Prefeitura, somaram R$ 7 milhões.

A reforma na pista incluiu a instalação de ranhuras por questão de segurança. Neste ano, os carros da Fórmula 1 estão até 40 km/h mais rápido do que em edições anteriores. No evento, Doria vestiu um capacete e deu algumas voltas no circuito a bordo de uma Ferrari de turismo. Conduzido por um piloto profissional, o veículo chegou a marcar 260 km/h.

Em outubro de 2016, após resultado da eleição, Doria já havia declarado que pretendia conseguir cerca de R$ 7 bilhões com as vendas de Interlagos e do complexo do Anhembi, na zona norte.

Nesta quarta, ele voltou a falar de valores. “A expectativa mínima que nós temos em relação ao valor do Autódromo gira em torno de R$ 2 a R$ 2,5 bilhões”, disse. “Esse valor pode mudar, tudo depende do leilão, de quantas empresas estarão interessadas. Quanto mais empresas participarem, seguramente melhor será o valor apurado.”

A realização do leilão, no entanto, não depende só da Prefeitura. “A nossa expectativa, se tudo ocorrer bem e não houver nenhum percalço, é que até março ou abril - no limite - o leilão será realizado”, afirmou Doria. “Com a salvaguarda de nenhuma nova situação no processo. Aprendi que na área pública, com promotoria, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, muita gente que tem vetor”, disse.

Trâmite. O projeto para a venda do complexo de Interlagos, que inclui o Autódromo José Carlos Pace e o Kartódromo Ayrton Senna, chegou na Câmara Municipal no dia 10 de outubro, mas desde então a tramitação está parada. Apesar de os vereadores ainda precisarem aprovar o projeto, a Prefeitura demonstra otimismo.

“Eu diria que as chances de aprovação são de praticamente 100%”, afirmou Doria. “Não quero desautorizar os vereadores, mas há um sentimento bastante positivo com referência a isso.” Um possível entrave é que, depois do projeto de venda, a Câmara também precisa aprovar um Projeto de Intervenção Urbana (Piu), com as regras do que pode e o que não pode ser feito na área - o que só deve ser feito no próximo ano.

Entre as cláusulas incluídas no projeto de venda do complexo, está o compromisso do novo proprietário em manter o acordo  firmado com a Fórmula 1, uma vez que o circuito de Interlagos tem contrato até o ano de 2020. “Continuará a ser um autódromo, não vai mudar a sua finalidade”, afirmou.

O projeto prevê a construção de residências de luxo, hotéis ou comércios no entorno do complexo, cuja área total é de cerca de 959 mil m². “Ele terá, evidentemente, uma complementariedade, com investimento imobiliário para poder pagar o volume dos gastos”, afirmou o prefeito.

Segundo Doria, investidores “do Brasil e do exterior” já teriam demonstrado interesse na compra. “Há algumas manifestações prévias de interesse, que serão formalizadas tão logo tenhamos aprovação da Camara nas duas votações”, disse o prefeito, que não quis antecipar nomes. Em viagem recente à Itália, Doria chegou a citar a Pirelli como uma das interessadas, mas a empresa negou.

Até o início de 2018, a Secretaria de Desestatização deve reunir os Procedimentos de Manifestação de Interesse (PMI) das empresas, que serão usados para elaborar a modelagem final da venda do complexo de Interlagos. 

Para o circuito deste ano, a projeção da Prefeitura é que a Fórmula 1 movimente cerca de R$ 250 milhões em três dias de treinos e disputa, considerando, entre outros itens, o aumento da ocupação de hotéis e atividades dos turistas - cerca de 7% são estrangeiros. Os eventos estão agendados para 10, 11 e 12 de novembro.

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