Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Doria e vereadores tomam posse na Câmara

Doria é o primeiro prefeito de São Paulo eleito em primeiro turno desde 1992, quando as eleições passaram a ter dois turnos

Adriana Ferraz, Fábio Leite, Circe Bonatelli e Daniel Weterman, O Estado de S. Paulo

01 Janeiro 2017 | 15h43

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), tomou posse hoje, por volta das 16 horas, em sessão solene na Câmara dos Vereadores. Ele se limitou a fazer o juramento de posse, sem discursos. "Me comprometo com a justiça social, paz e igualdade de tratamento a todos os cidadãos", disse. Hoje, às 17 horas, acontecerá a cerimônia de transmissão do cargo no Teatro Municipal.

Leia entrevista de Doria ao Estado publicada neste domingo

A sessão começou às 15h30, com atraso de meia hora, e foi presidida pelo vereador Eduardo Suplicy (PT), o mais votado nas eleições de outubro e também o mais velho entre os parlamentares da Casa. Na abertura da cerimônia, Suplicy lembrou ter trabalhado pela tentativa de reeleição do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e frisou que irá compor a base de oposição na Câmara.

"Todos sabem o quanto eu batalhei para que Haddad fosse eleito, pois considero que ele teve uma excelente gestão. Mas expresso meu respeito pela maneira democrática com que Vossa Excelência foi eleito", afirmou Suplicy, dirigindo-se a Doria. "Temos a obrigação de fiscalizar os atos do Executivo. Espero que seja uma gestão de diálogo e respeito", disse. Suplicy acrescentou esperar que o presidente da Câmara converse com os demais parlamentares antes de apresentar eventual recurso contra a decisão judicial que suspendeu o reajuste salarial dos vereadores na última semana.

O vice prefeito eleito Bruno Covas lembrou, em rápido discurso, que "amanhã (segunda-feira, 2) às 6h, de forma simbólica, estaremos varrendo e limpando a cidade de São Paulo mostrando trabalha o em equipe solidariedade e mostrando para a cidade que o João trabalhador veio para ficar".

Vereadores.  Favorito na eleição para presidente da Câmara Municipal de São Paulo nesta tarde, o vereador Milton Leite  (DEM)  ainda buscava votos minutos antes do início da sessão. "Vou lá no sexto andar atrás de um voto. Ainda estou em campanha", disse o democrata a assessores, 30 minutos antes do início da sessão, referindo-se a uma visita ao gabinete do vereador Camilo Cristofaro (PSB). 

O vereador Mário Covas Neto (PSDB), que também disputa a presidência - mesmo sem ter apoio do prefeito eleito nem da bancada tucana na Casa - enviou mensagem pelo aplicativo Whatsapp agradecendo o apoio que recebeu. "A todos vocês, que em algum momento demonstraram simpatia pela minha candidatura à presidência da Mesa da Câmara Municipal, agradeço imensamente a consideração e a honra da confiança. Muita coisa aconteceu nesse processo e, diante das circunstâncias, pensei muito em ir até o final da disputa. Primeiro busquei apoio no governo ou sua isenção, sem sucesso. Depois tentei sensibilizar minha bancada mas ela acabou seduzida.  Ainda assim, não consigo ficar indiferente e não vejo razões para outra atitude senão a de ser candidato.  Faço com a tranquilidade de quem não espera a vitória, mas que age de acordo com sua convicção de militante partidário e, principalmente, por ser representante de 75.000 pessoas que ainda se indignam.  O povo foi às ruas e nós continuaremos a fazer esses conchavos estranhos?  E se não participamos disso, devemos fingir indiferença?", disse.

Além de Milton Leite (DEM) e Mario Covas Neto (PSDB) a disputa pela presidência da Câmara deve ter ao menos mais duas candidatura, a da novata Janaína Lima, do Partido Novo, e da vereadora eleita Sâmia Bonfim (Psol).

Discurso. O vereador eleito Eduardo Suplicy (PT), que preside a sessão por ser o parlamentar mais velho, disse que o prefeito eleito sabe o quanto ele trabalhou pela campanha de Fernando Haddad mas que ele respeita o resultado das urnas e que fará um mandato na Câmara respeitoso e construtivo. Suplicy aproveitou a oportunidade para dizer que encaminhará a Doria cópia do programa Renda Cidadã.

Suplicy disse que espera que o novo presidente da Câmara discuta com os vereadores antes de entrar na Justiça com recurso contra a liminar da Justiça que suspendeu no fim de 2016  o reajuste salarial dos parlamentares em 26%.

Antes da sessão, o prefeito eleito João Doria (PSDB) se reuniu com o atual presidente da Câmara Antonio Donato (PT) na companhia dos presidentes da Assembleia Legislativa Tribunal de Jusitca e Tribunal Regional Eleitoral. Doria estava acompanhado da mulher Bia Doria, do vice prefeito Bruno Covas e alguns secretários do governo Geraldo Alckmin e vereadores paulistanos.

Eleição. Doria é o primeiro prefeito de São Paulo eleito em primeiro turno desde 1992, quando as eleições passaram a ter dois turnos. Ele recebeu 3.085.187 votos, o que corresponde a 53,29% dos votos válidos. Doria assume o cargo com a "herança" de cerca de R$ 2 bilhões em caixa, deixados por Haddad. A quantia representa o saldo líquido que estará nas contas da Prefeitura, sem contar a verba já empenhada com restos a pagar, que fica em pouco mais de R$ 4 bilhões.

Apesar da crise econômica, os valores são semelhantes aos números deixados pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD). Em 2013, quando Haddad assumiu, o caixa herdado somava R$ 5,8 bilhões, em valores atualizados, dos quais R$ 2,5 bilhões não estavam comprometidos.                   

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