JF DIORIO/Estadão
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Doria demite funcionários ligados a vereadores 'infiéis' na Câmara de SP

Gestão tucana vai exonerar ao menos quatro servidores indicados por parlamentares do PRB após políticos da sigla boicotarem votação do projeto de privatização do Anhembi

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2017 | 22h18

SÃO PAULO - A infidelidade na base aliada do prefeito João Doria (PSDB) na Câmara Municipal de São Paulo começou a custar cargos dentro da Prefeitura. Após sofrer novo revés na votação do projeto de privatização do Complexo do Anhembi, nesta quinta-feira, 30, a administração tucana decidiu demitir ao menos quatro funcionários indicados por vereadores do PRB, entre os quais Souza Santos, apontado como líder do motim que barrou a proposta de Doria, que aguarda a votação definitiva desde setembro.

O Estado apurou que entre os que devem ser demitidos nesta sexta-feira, 1.º, está o secretário-adjunto de Habitação, Gilmar Souza Santos, irmão do vereador do PRB. Outra pessoa ligada ao parlamentar Souza Santos que deve perder o cargo na Prefeitura é a superintendente do Serviço Funerário, Marcia Mendes. Outros servidores dentro da autarquia que cuida dos cemitérios da cidade e que foi loteada para o PRB no início da gestão Doria, também devem ser exonerados.

Os chefes de gabinete das prefeituras regionais de Itaim Paulista e Sapopemba, ambas na zona leste da capital, também devem entregar seus cargos. Um deles, Mário Corochel Neto (Sapopemba), teria sido indicado pelo vereador Rinaldi Digilio (PRB). Ao todo, a bancada do PRB, partido ligado à Igreja Universal, tem quatro vereadores, mas, segundo fontes da gestão Doria, apenas Souza Santos e Digilio têm obstruído projetos do Executivo com o objetivo de obter mais cargos na Prefeitura.

A retaliação aos infiéis da base de Doria foi ordenada pelo vice-prefeito Bruno Covas (PSDB), que assumiu em novembro a articulação política da gestão ao ser nomeado secretário da Casa Civil, depois de uma crise política com o prefeito que resultou em sua saída da Secretaria das Prefeituras Regionais. Foram Covas e o secretário de Governo, Julio Semeghini, os responsáveis pela maior parte das nomeações políticos dentro da Prefeitura durante a montagem do governo Doria, após a eleição em outubro de 2016. Procurado, Bruno Covas não quis comentar as exonerações.

O vice-prefeito foi à Câmara Municipal na última quarta-feira, 29, negociar a aprovação do projeto de privatização do Anhembi nesta semana com os vereadores. Na reunião, segundo informou o jornal Folha de S. Paulo, ficou acordado que 10% do valor que a Prefeitura arrecadar com a venda do Complexo do Anhembi, que incluiu o centro de exposições e o sambódromo, seria dividido em cota parlamentar para que os vereadores pudessem indicar investimentos nas áreas de Saúde, Educação, Transporte, Segurança, Habitação e Assistência Social.   

Mesmo após a conversa, Souza Santos continuou dificultando a votação do projeto pelo governo, que também sofreu com a falta de quórum porque outros parlamentares da base não registraram presença. A ação irritou o presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), aliado do prefeito. A bronca da gestão Doria com o parlamentar do PRB é antiga. Segundo assessores do prefeito, ele tem imposto dificuldades ao governo em todas as votações de interesse do Executivo, como ocorreu no pacote de concessões de parques, bilhete único, mercados e terminais de ônibus, no primeito trimestre. 

A reportagem tentou contato com Souza Santos, mas ele não foi localizado na noite desta quinta-feira, 30. A assessoria do vereador Rinaldi Digilio afirmou que ele "não foi comunicado sobre as demissões, que são prerrogativas do Executivo". Ainda segundo a nota, o parlamentar "considerou uma afronta declarações feitas à imprensa por lideranças do governo sobre um suposto acordo que envolvia a liberação de emendas no valor de 10% do valor de venda do anhembi", em referência a declarações feitas pelo líder do governo, Aurélio Nomura (PSDB), em reportagem veiculada pela Folha de S. Paulo. "Melhor do que tentar conseguir apoio com benesses, o governo deveria discutir e debater os projetos com a sociedade paulistana", conclui o vereador do PRB.

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